Pelo menos quatro milhões de mulheres da América Latina arriscam sua vida a cada ano ao submeter-se a abortos clandestinos. Este número é oito vezes mais do que há dez anos. É o que revelam especialistas que participaram recentemente do Encontro de Parlamentares da América Latina, convocado pelo Centro de Investigações sobre Dinâmica Social (CIDS) da Universidade Externado da Colômbia.
Segundo números da Organização Mundial da Saúde (OMS), 41 de cada mil mulheres latino-americanas e do Caribe abortam em condições de risco para suas vidas. A proporção é três vezes superior à média dos países industrializados. No caso colombiano, 26 de cada 100 universitárias, a metade menores de 20 anos, praticaram pelo menos um aborto, segundo estudo apresentado na reunião.
O estudo mostrou ainda que 29% das mulheres que fizeram aborto tiveram complicações e 18% chegaram aos hospitais em ‘‘condições críticas’’. A médica Ana Langer, diretora para a América Latina e Caribe da ONG Population Council, disse que as cifras sobre a incidência do aborto não são conhecidas com exatidão já que a prática é clandestina. Fora Cuba, Porto Rico, Guiana e Barbados, o aborto é ilegal no restante dos países. ‘‘Tornar o aborto crime só aumenta a mortalidade, esterilidade feminina e o desvio de recursos que poderiam ser destinados à saúde pública’’, afirmou o médico Aníbal Fagundes, professor da Universidade de Campinas.
Fagundes argumenta, por exemplo, que em países como a Holanda, onde a prática é legal, o número de casos é mínimo. Fagundes, assim como Ana Langer, acha que a desproteção e desigualdade da mulher na América Latina induz à prática generalizada do aborto.

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