AL discute alta das custas judiciciais
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domingo, 06 de maio de 2001
De Curitiba Especial para a Folha 
O projeto que prevê o reajuste de até 1.566% nos preços cobrados nos cartórios judiciais do estado do Paraná começa a ser discutido no plenário da Assembléia Legislativa esta semana. O presidente da Casa, deputado Hermas Brandão (PTB), informou que já está providenciando a inclusão do projeto de lei que trata do tema na pauta de votação com o objetivo de apreciar o tema o quanto antes.
Caso seja aprovada, a proposta deve representar um peso extra no bolso de quem se dirigir à Justiça estadual do Paraná. A maior alta fica por conta do preço cobrado pela folha de alvará, ofício e edital, que passa de R$ 0,30 para R$ 5,00, uma elevação de 1.566%. Outra alta significativa é a elevação do valor pago pelas cartas precatórias, que terá seus preços reajustados em 900%, passando de R$ 2,25 para R$ 22,50.
A proposta que prevê os aumentos de preços é um substitutivo ao anteprojeto de lei 132/2000, enviado aos deputados pelo Tribunal de Justiça. A idéia já teve parecer favorável nas comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Finanças, mas vem enfrentando severas críticas por parte da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR).
O presidente da OAB-PR, José Hipólito Xavier da Silva, avalia que a população terá dificuldade de acessar a Justiça por causa do aumento nos preços. Endurecendo as declarações, Hipólito tem acusado os deputados de pensarem apenas em seus próprios interesses ao levarem essas propostas em frente. O aumento das custas só interessa aos interesses dos cartorários e à bancada que os representa, como o presidente da Assembléia, Hermas Brandão, o corregedor Caíto Quintana (PMDB) e o presidente da CCJ, Basílio Zanusso (PFL), todos donos de cartório, acusa.
Hermas Brandão discorda da postura do presidente da OAB-PR. Ele avalia que o trabalho desenvolvido pelos deputados busca beneficiar as suas bases eleitorais com uma estrutura maior e melhor do Poder Judiciário.
Ele cita como exemplo dessa postura a posição dos deputados de não apreciar mais alterações parciais do Código de Organização e Divisão Judiciárias - que determina o número e distribuição do total de juízes e comarcas - mas sim um projeto global, que beneficie a população da capital e Interior do Estado. Os deputados estão sendo pressionados por suas bases, que querem maior agilidade da Justiça e melhor atendimento, afirmou.


