Rio, 03 (AE) - O ajuste fiscal do governo brasileiro prejudica a execução financeira dos projetos apoiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no País, admitiu hoje o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Mário Vilalva. "Não que o desempenho físico dos projetos seja ruim, mas há uma redução no ritmo", afirmou Vilalva, admitindo que a economia de gastos do governo pode afetar o andamento ou tamanho dos programas.
Atualmente, o Brasil tem cerca de US$ 9 bilhões do BID aplicados em programas de infra-estrutura ou sociais, informou o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares. Ele participou da reunião dos governadores do BID, realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Novas metas - Vilalva e Tavares explicaram que o banco vai mudar sua forma de atuação na América Latina, de uma forma que vai ser definida em março, em reunião em New Orleans, nos Estados Unidos. "Não é possível que depois de tanto tempo a América Latina continue a apresentar níveis de pobreza tão grandes", reconheceu o secretário de Assuntos Internacionais do ministério.
Pela nova estratégia, o BID vai procurar trabalhar mais com o setor privado, financiar e apoiar com informações a formação dos blocos econômicos na região e acelerar a implementação de projetos. Estas novas metas foram estabelecidas diante das mudanças que ocorreram na região: o aumento da entrada de investimentos estrangeiros, a introdução de novas tecnologias e a mudança do perfil de comércio exterior dos países latino-americanos.
Tavares lembrou que desde 1995 o BID "abriu uma janela" para investimentos privados. A gerência de programas privados da instituição já deu assistência a projetos que somam US$ 8 bilhões. Deste total, US$ 1,5 bilhão são do BID e outros US$ 2 bilhões de bancos particulares que liberaram os recursos graças ao apoio dado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, afirmou Tavares. O Brasil recebeu quase US$ 300 milhões desta verba liberada pelo banco.
Mudança de interesses - O fim da Guerra Fria também mudou o tipo de interesse que move o apoio dos principais financiadores do BID, como os Estados Unidos, e o perfil de trabalho da instituição, afirmou Vilalva. O interesse agora é "genuinamente" social e de promoção do comércio, informou.
Vilalva lembrou que anteriormente o objetivo dos Estados Unidos, principal acionista da instituição, era evitar a possibilidade de surgimento de regimes comunistas no continente. Esta mudança de princípios faz com que o BID acompanhe os programas apoiados com maior atenção do que na época em que ainda existia a União Soviética, informou o secretário. "Os interessados na ajuda passaram a valorizar mais o projeto", reconheceu.

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