Ajuste fiscal é 'necessário', diz presidente de grupo
Curitiba - Para o presidente do Grupo Uninter, Wilson Picler, o anúncio já era previsto, uma vez que a União investiu nos últimos anos "além do suportado pelo orçamento" em programas sociais. "Não vejo como uma coisa perversa por parte do governo, e sim como um ajuste fiscal necessário. A realidade econômica exige e nós temos de compreender", afirmou. Ele falou que se orgulha do fato de a Uninter ter sido a primeira instituição privada do País a fazer a "adesão voluntária" ao ProUni, o qual considera mais efetivo até do que o Bolsa Família.
Conforme o gestor, que foi também deputado federal, como a principal carteira da instituição é a educação a distância, excluída pelo ProUni e pelo Fies, não estão previstas grandes alterações. "O maior impacto deve ocorrer nas empresas de capital aberto, como a Kroton, porque elas fazem relatórios trimestrais para investidores. Estavam crescendo com percentual bastante arrojado em cima desses programas e o pessoal do mercado entende que elas não terão mais tanto fôlego para crescer", avaliou.
Assessor da presidência, o professor Alfredo Angelo Pires foi na mesma linha, no entanto, acrescentou que os estudantes podem acabar prejudicados. "Nós aqui na Uninter vamos oferecer em 2015 algo em torno de 7 mil bolsas do ProUni. Mas se eu tenho um aluno que vem porque teve direito a 50%, será que ele poderá pagar os outros R$300, R$400 de diferença? A instituição pode até buscar mais pessoas, talvez com renda maior; o aluno não", opinou.
Procurada pela FOLHA, a diretora executiva da Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino Superior (Abraes), Elizabeth Guedes, disse que entrou em contato com o MEC e que aguarda o agendamento de uma reunião com os representantes da pasta para se posicionar mais claramente sobre o assunto. "Obviamente, fomos surpreendidos por essas portarias", afirmou.
Já o MEC informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que está aberto ao diálogo com as entidades, mas que por enquanto não há qualquer modificação prevista. De acordo com o ministério, as mudanças foram instituídas para aprimorar os programas e garantir mais qualidade ao Ensino Superior. A reportagem contatou, ainda, a Universidade Norte do Paraná (Unopar), que se pronunciou somente por meio de nota: "A Unopar esclarece que continua analisando as novas regras e que está em contato com o MEC, para melhor entendimento das medidas divulgadas". (M.F.R.)





