Buenos Aires, 29 (AE) - O novo governo argentino vai adotar algumas medidas que significam aumento de impostos como parte do programa de ajuste fiscal.
Uma destas medidas será o adiamento de uma redução de contribuições patronais que entraria em vigor em dezembro, informou José Luís Machinea, indicado pelo presidente eleito Fernando de La Rúa, como coordenador da equipe de transição na área de economia. Machinea também negou que o governo pretenda demitir funcionários públicos para cortar despesas.
As contribuições patronais sobre a folha de pagamento somavam cerca de 40% no início do ano. O governo atual colocou em prática um projeto para reduzi-las em 10 pontos porcentuais. Duas cotas de 3 pontos já foram colocadas em prática e agora em dezembro entraria em vigor mais um corte de 4 pontos.
Esse corte significa uma perda de arrecadação de cerca de US$ 900 milhões para o caixa do governo. Com essa medida, o déficit fiscal projetado em US$ 10 bilhões para o próximo ano já cairia para cerca de US$ 9 bilhões.
Outras medidas que estão em estudo são o fim de exceções que existem no imposto sobre lucro, extensão da alíquotade 21% do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para serviços hoje isentos ou que pagam um valor inferior, como o de televisão a cabo. Outra medida que está em discussão é o aumento na taxa que existe sobre o consumo de combustíveis.
A redução das contribuições patronais já era esperada pelos economistas argentinos, como Ernesto Kritz, da Sociedade de Estudos Laborais. "Mas a redução das contribuições é importante para criar empregos no futuro, junto com a mudança na legislação trabalhista, especialmente das pequenas e médias empresas, que concentram a maior parcela de trabalho informal do país", observou Kritz.

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