Ajufe aguardará emenda do teto antes de marcar greve
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 27 (AE) - A diretoria da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) vai esperar por mais tempo que o Executivo e o Legislativo apresentem a emenda estabelecendo o teto salarial dos servidores públicos, antes de marcar a data do início da greve, decidida ontem (26), numa assembléia da entidade. "Não queremos passar por radicais", afirmou o presidente da Ajufe, Francisco Tourinho Neto.
Ele admitiu, porém, que a associação precisa de tempo para preparar a paralisação. "Na verdade, não temos experiência nisso", disse.
O indicativo de greve foi proposto pela diretoria e ganhou a votação por 131 a 58. Mas a assembléia decidiu que a data da greve será definida pela direção da entidade. Segundo Tourinho, houve uma consulta via Internet a juízes de todo o Brasil sobre a possibilidade de paralisação e cerca de 500 responderam favoravelmente. "Isso nos deu firmeza para apresentar a proposta na assembléia, que é a instância soberana de decisão", explicou.
Os juízes federais estão inconformados com a demora na fixação do teto salarial. "É um jogo de cena, demagógico, do Executivo e do Legislativo, que jogam a responsabilidade para o Judiciário", queixou-se Tourinho. Ele afirmou que mais de um terço dos parlamentares ganha mais de R$ 12.720,00, que é o teto proposto pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
"Evidentemente, eles não querem a redução dos vencimentos", garantiu. Tourinho lembrou que o secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, fez um estudo mostrando que o teto de R$ 12.720,00 - que é o máximo hoje de um ministro do STF - proporcionaria uma economia de R$ 150 milhões aos cofres da União.


