Ajudante de pedreiro de 14 anos é morto com 3 tiros na cabeça em frente de escola
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 14 (AE) - O ajudante de pedreiro Adelvan Bispo dos Santos, de 14 anos, foi assassinado com três tiros na cabeça, em frente de uma escola em Parelheiros, na zona sul de São Paulo. O crime aconteceu ontem (13), por volta das 19h30, pouco depois de os alunos do período noturno terem entrado na Escola Estadual Ernestino Lopes da Silva, na Estrada da Colônia. A polícia apura a possibilidade de que os criminosos tenham ligação com o tráfico de drogas.
Adelvan, que era conhecido entre os amigos pelo apelido de "Bombril", cursou até a sexta série na Escola Professora Ana Luiza Florence Borges, também na região. Ele havia parado de estudar neste ano, quando passou a trabalhar como ajudante de pedreiro no condomínio Vargem Grande. Caçula de seis irmãos, era o único filho homem.
Por volta das 16h30 de ontem, Adelvan estava em casa, quando um amigo o chamou. "Ele convidou meu filho para ir até a escola", disse o carpinteiro José Domingos Bispo dos Santos, de 51 anos. Eles foram a pé até a escola, que fica a cerca de 1 quilômetro da casa de Adelvan. Ficaram no local conversando até o momento em que houve o crime. "Quando eu estava em casa, eu controlava meu filho e não o deixava sair", disse o pai. "Sempre perguntei se ele usava maconha, mas ele sempre negou." Após a entrada dos alunos, dois rapazes chegaram armados. Enquanto um ficou dando cobertura, o outro se aproximou de Adelvan e perguntou se ele era o "Bombril". Adelvan respondeu que sim. O assassino sacou um revólver e disparou três vezes. As balas acertaram o rosto do estudante, que caiu ensanguentado. Os criminosos fugiram. Testemunhas levaram o estudante ao Pronto-Socorro de Parelheiros, mas ele chegou morto. O amigo de Adelvan, principal testemunha do crime, foi levado pelos pais para um lugar fora do bairro, pois a família teme que ele seja a próxima vítima.
Segundo funcionários da escola, os policiais do posto da Polícia Militar do bairro não rondam o colégio à noite. Apenas no turno da manhã é que a escola, que tem quatro períodos de aula, conta com uma policial feminina. A morte de Adelvan foi a primeira ocorrida em 14 anos na frente da escola.
O assassinato de Adelvan foi registrado pelo 25º Distrito Policial (DP), que passará amanhã (15) o caso ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). O rapaz será enterrado amanhã no Cemitério do Campo Grande. "Construí essa casa para meus filhos", disse o pai, chorando.


