Calouros e veteranos do curso de Medicina Veterinária da UniFil viveram uma experiência de solidariedade e também conheceram alguns desafios da futura profissão durante o trote solidário realizado ontem na casa de uma protetora de animais de Londrina. Sob orientação da professora Suelen Túlio Córdoba Gobetti, um grupo de 50 alunos realizou ontem reparos e uma limpeza na casa da faxineira Maria Isabel Ferreira, de 61 anos, que atua como protetora de animais.
Dona Maria, como é chamada, vive com 30 cães e 90 gatos na casa. Como é idosa e ainda trabalha para dar conta da despesa mensal que chega a R$ 2 mil só com ração e cuidados com os bichos, ela nem sempre consegue fazer as manutenções necessárias na casa.
Ontem, os calouros voluntários que cursam período integral trabalharam na parte da frente, onde ficam os cães, com reforma do portão, pintura da fachada da casa e da calçada externa, troca de pedras, jardinagem e limpeza geral do local. Hoje, estudantes do período noturno vão organizar a parte dos fundos, onde os ficam os gatos.
"Numa reunião de representantes dos veteranos, ficou decidido que o trote seria contribuir com algum cuidador de animais. Como um aluno já conhecia, falou da casa da senhora Maria. O lugar se encaixou no perfil pretendido e foi o escolhido para o trabalho solidário dos alunos de primeiro, segundo e terceiro anos", contou a professora Suellen de Córdova Gobetti.
Para dona Maria, a ajuda veio em boa hora. "Acolho animais há 30 anos, porque sempre gostei muito. O problema é que as pessoas jogam cães e gatos aqui dentro. No final do ano piora, porque muita gente viaja e simplesmente se desfaz deles", lamentou ela, que dedica a vida aos bichos com ajuda das filhas. "Já não sou nova e tenho que trabalhar, falta tempo para os cuidados com a casa", reconheceu.
Uma das voluntárias mais engajadas foi a estudante Maria Eduarda Bueno Safra, de 20 anos, que está no terceiro ano e gostou da experiência de ajudar o próximo. "É muito bom reconhecer e ajudar as pessoas que cuidam dos animais. Estamos ajudando quem ajuda", destacou ela, que estava empenhada em liberar espaço para os cães circularem na casa. "Estamos tendo contato com uma realidade que não conhecíamos, isso será bom para nossa formação", acrescentou.
A caloura Helena Martins Faiçal, de 18 anos, relata que gosta de animais desde muito criança, mas não conhecia as dificuldades enfrentadas pelos protetores. "Estou aprendendo muito, a gente precisa fazer mais para ajudar quem cuida dos cães e gatos", disse ela, enquanto podava com afinco as plantas do jardim. Empresas da cidade colaboraram com a ação doando materiais de construção, ração e até mesmo banho para os cães.
Diante da realidade de tantas pessoas abandonando animais na casa da dona Maria, a professora Suellen faz um alerta para quem pretende adotar cães ou gatos. "Quando optamos por cuidar de animais, precisamos ter consciência de que eles têm uma vida longa, exigem cuidados veterinários, alimentícios e sociais. Não podemos escolher hoje um animal e amanhã resolver devolvê-lo", afirmou.

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