Ajuda do BC ao Marka extrapolou operação no mercado futuro
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Cleide Sanchez Rodrigues e Vera Brandimarte 
São Paulo, 28 (AE) - A operação de socorro feita pelo Banco Central (BC) para zerar os ativos e passivos do Banco Marka envolveu não apenas os negócios realizados no mercado futuro de câmbio, mas levou em conta, também, as operações que o banqueiro Salvatore Cacciola tinha em outros mercados como swap (operações casadas de câmbio com juros, por exemplo), que podem ser feitas dentro e fora da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).
A forma utilizada pelo BC para liquidar essas posições deu o maior susto no mercado financeiro, que estranhou o fato de o BC ter vendido contratos de dólar em volume superior às posições mantidas pelo Marka no mercado futuro, o que lhe garantiria um lucro de R$ 39,5 milhões.
Essa foi a conclusão do mercado, após a surpreendente revelação feita na segunda-feira, pela BM&F a um grupo de mais ou menos 20 corretores reunidos em sua sede, para um café da manhã. Segundo fontes do mercado, a BM&F quis antecipar informações que seriam reveladas nos mapas de movimentação diária entregues à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro, e divulgadas ontem.
A BM&F expôs que o BC vendeu ao Marka 12.650 contratos de dólar futuro, com vencimento em fevereiro de 1999, ao preço de R$ 1,2750 por dólar. Teoricamente essa operação seria para zerar a posição do banco na bolsa. Mas a posição em aberto do banco era menor. "É incompreensível, pois na prática o Banco Marka teria deixado de ser devedor para ser credor", disse um corretor presente ao encontro.
As suspeitas do mercado de que algo errado ocorreu foram reforçadas hoje, quando a CPI deixou vazar cópia de um calhamaço com o histórico das operações na BM&F durante o mês de janeiro, que havia sido requisitado à bolsa.
A movimentação do Marka mostra o banco comprando 12.560 contratos do BC no dia 14, em seis lotes sempre ao preço de R$ 1 275 e, nos dias 20 a 22, novas movimentações do banco, desta vez com vendas de 13 lotes, a preços que variaram de R$ 1.560,00 a R$ 1.680,00.
Na ponta do lápis, o banco comprou do BC mais contratos do que precisava e, além de zerar seus contratos de venda, ficou com uma posição comprada, ele ganhou pelo preço de venda de cada lote entre os dias 20 e 22, o equivalente a R$ 39,53 milhões.
Para o mercado, esse valor teria sido embolsado por Cacciola. Mas a Assessoria de Imprensa do BC admitiu que o órgão fez a venda de contratos de dólares ao Marka num volume superior ao necessário com a justificativa de que a operação deu ao banco a oportunidade de liquidar posições em outros mercados.
A BM&F também admitiu que realizou a reunião e vai realizar uma série de outros encontros com os corretores para explicar as operações com o Banco Marka.


