Hamburgo, 01 (AE) - A Airbus prepara-se para lançar aviões de passageiros de capacidade acima de 400 lugares, no qual a Boeing mantém monopólio. A DaimlerChrysler, que integra o consórcio que constitui a Airbus Industrie, também pretende ampliar a participação no grupo e já negocia a compra da Casa, a empresa espanhola que integra a sociedade.
As vendas da Airbus no ano passado somaram US$ 39 bilhões, um crescimento de 30% na comparação com o anterior. As aeronaves maiores, de 480, 550 e 650 lugares, estarão projetadas até o ano 2000 e as primeiras entregas para as empresas aéreas estão previstas para 2005, segundo o porta-voz da DaimlerChrysler Aerospace, Theodor Benien.
Esses modelos serão projetados num novo design, com o deck superior em toda a extensão do avião, e demandam estudos especiais para o projeto das asas. Praticamente sozinhos nesse rico mercado de mais de US$ 80 bilhões anuais, os dois fabricantes de aeronaves com mais de 100 lugares travam uma disputa acirrada. A Boeing tem 55% das vendas e a Airbus, 45%. Há oito anos, a Airbus tinha menos de 30%.
Com a fusão do grupo alemão, que se chamava Daimler Benz, com a americana Chrysler, em novembro, a Airbus também tem a chance de avançar mais no mercado norte-americano, onde está a Boeing. A DaimlerChrysler tem 37,9% de participação no consórcio da Airbus Industrie. A francesa Aérospatiale tem outros 37%, a inglesa British Aerospace, 20%, e a espanhola Casa, 4,2%.
Cada participante do consórcio é responsável pela fabricação de diferentes partes das aeronaves. A montagem final é feita em Hamburgo, na Alemanha, e Toulouse, na França. Por causa do recente aumento de demanda, ocasionado principalmente pelo incremento do turismo em todo o mundo, segundo Benien, a Airbus teve de expandir a área reservada para a entrega das peças em Hamburgo.
A expansão ocorre após um período de queda de demanda, em que a Airbus teve de enxugar o quadro funcional e reduzir custos. Hoje o custo de fabricação de uma aeronave é 33% mais baixo que em 1992.
Com 14.800 empregados, a empresa já cogita uma parceria com um fabricante de componentes asiático. A Mitsubishi já demonstrou interesse na fusão.
O setor começa a estudar diferenciais para competir neste mercado. Segundo Benien, em pouco tempo, os fabricantes poderão produzir aviões com salas de conferência, free shops e até cabines especiais para dormir.

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