Imagem ilustrativa da imagem 'Ainda não dou conta de olhar as fotos do meu menino'
| Foto: Marcos Zanutto/Grupo Folha


Depois de três anos, Adelaine Cyrillo, 51, ainda não sabe quem matou seu filho. Matheus Modesto, 21, estava na casa onde quatro pessoas foram mortas em 29 de janeiro de 2016. Cyrillo mandou e-mails cobrando a resolução do caso para a Corte Interamericana de Direitos Humanos e para a Comissão Internacional de Direitos Humanos. "Eles têm que fazer esse trabalho. Eles falam que tem muitas perícias na frente, mas isso já faz três anos", lembra. Essa época do ano, nas proximidades do aniversário da chacina, é a mais difícil para ela.

A técnica em enfermagem, junto de familiares de outras vítimas, pedem um desfecho. "A gente está esperando que a Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária) faça o trabalho dela. Vamos ver se esse secretário de segurança dá a prioridade que o caso merece. Foi uma coisa horrível que aconteceu na minha vida e na das outras famílias. A gente perdeu pessoas que não tem nem como dizer a falta que fazem."

A mãe do menino conta que houve quem tenha ido embora de Londrina por não dar conta de viver no mesmo lugar dos assassinatos. "Não somos só nós, os pais do Matheus, tem outras famílias também. Mas a maioria das famílias trocou de telefone ou mudou de cidade. A gente tem contato com umas três ou quatro famílias."

Emocionada, Cyrillo lembra do crime como se fosse ontem e ainda vive a dor diariamente. "Ainda não dou conta de olhar as fotos do meu menino. Meu filho levou dez tiros de tudo que foi calibre e nem sabia o porquê. Não é só pelo meu filho, é por todos os outros."

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A casa em que os rapazes estavam foi alvo de disparos enquanto os rapazes participavam de um jantar. Segundo as investigações, policiais que atenderam a ocorrência teriam limpado a cena do crime. Projéteis e o equipamento que armazenava imagens das câmeras desapareceram.

Modesto não tinha antecedentes criminais e montava um negócio de programação com um amigo. Segundo a mãe, ele era um menino de muitos amigos e não via maldade em ninguém. "Meu filho não morreu, foi assassinado. A vida da gente não é mais a mesma."

Como os principais suspeitos do caso são policiais militares, há muitas barreiras, segundo a mãe. O medo é um sentimento que ainda ronda os familiares, bem como viaturas, que rodavam casas de alguns familiares de vítimas depois dos crimes, de acordo com Cyrillo. "Eles dificultaram muito, coletaram provas. Eu não quero vingança, quero justiça".

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