Curitiba - Um dia depois de uma blitz para coibir o trabalho infantil ter sido realizada na Central de Abastecimento (Ceasa) de Curitiba, um grupo de crianças continuava trabalhando no local. O diretor da central, José Lupion Neto, disse que o número era ‘‘inexpressivo’’ em comparação às 215 crianças encontradas anteontem. Segundo ele, eram crianças e adolescentes vindos do interior do Estado, que estavam acompanhando os pais no comércio de hortifrutigrangeiros.
Ontem, a Ceasa reforçou a fiscalização no local, mas o diretor já avisou que a central não tem condições de manter uma orientação efetiva. Hoje ele envia ao Ministério Público do Trabalho, ofício no qual coloca à disposição um espaço para que o Conselho Tutelar possa atuar no Ceasa.
Cerca de 20 mil pessoas passam pela Ceasa diariamente. A maioria é comerciante que conta com a ajuda dos filhos, muitos menores de idade, para carregar caixas e vender os produtos. A blitz no local para evitar esse tipo de trabalho, na madrugada de quarta-feira, flagrou 215 menores de 16 anos.
Procuradores do Ministério Público estão investigando a situação desses menores e informaram à direção da Ceasa que vão enviar o relatório pelo Correio. O diretor do Ceasa disse que vai aguardar o documento. Segundo a procuradora Margaret Matos de Carvalho, que acompanhou a operação, será aplicada uma multa à central, baseada na reincidência da Ceasa. De acordo com a procuradora, a central teria se comprometido a evitar o trabalho infantil em suas dependências em termo de compromisso assinado há dois anos.

mockup