Aids vai matar 3 milhões em 2003
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quarta-feira, 26 de novembro de 2003
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - Apesar de todas as campanhas de prevenção e dos esforços para garantir tratamento, nunca a Aids matou tantas pessoas. Segundo o relatório do programa da Organização das Nações Unidas para Aids (Unaids), 3 milhões de pessoas devem morrer em 2003 em decorrência da doença. Em 2002 foram 2,8 milhões de mortes. Com outras cinco milhões de pessoas infectadas durante 2003 o número de contaminados sobe para 40 milhões de pessoas. ''A epidemia não dá sinais de enfraquecimento'', segundo o relatório.
A cada dia 14 mil pessoas são infectadas pelo vírus no mundo, 95% delas vivendo em países pobres. O caso mais grave é o do sul da África. Um adulto a cada cinco vive com a doença na região e, até o final do ano, esses países acumularão 2,3 milhões de mortes desde janeiro. Em Botsuana e na Suazilândia, a taxa de infecção é de 39%. Dos cinco milhões de novos casos em 2003, três milhões foram registrados nessa região da África. Vivem nestes países 26,6 milhões de aidéticos, cerca de 30% do total de infectados pela doença.
Apesar de ser a região mais atingida do mundo, os africanos que contraíram a doença são os que menos recebem tratamento. Apenas 2% da população conta com acesso gratuito aos medicamentos.
Segundo o relatório anual, uma nova preocupação é com a progressão da doença na China, Índia, Indonésia e Rússia. Na China, os dados oficiais indicam 840 mil pessoas infectadas pelo HIV. Especialistas acreditam que o número é bem maior. A transmissão ocorre nesses países por dois motivos: o uso de drogas injetáveis e a baixa utilização de preservativos em relações sexuais.
A agência da ONU também teme pelo que pode ocorrer nos países ricos da Europa e América do Norte. Existe a percepção entre os jovens de que a Aids tem tratamento e, desde finais dos anos 90, os cuidados para evitar a contaminação tem diminuído. O resultado está sendo um novo aumento no número de casos de Aids, que já chegam a 1 milhão nos Estados Unidos e Canadá. Na Europa, são 600 mil os infectadas.
Na América Latina e no Caribe morreram 100 mil de Aids em 2003. A região tem entre 1,3 milhão e 1,9 milhão de pessoas contaminadas e, em 2003, foram 210 mil casos novos.
Do total de pessoas contaminadas no mundo pelo HIV, 2,5 milhões são crianças. Em apenas um ano, 700 mil novos casos foram registrados e 500 mil não sobreviveram. O problema não pára aí. Só no Haiti, 200 mil crianças são órfãs por causa da Aids. Na África, a estimativa é de que 11 milhões de crianças tenham perdido um de seus pais em decorrência da doença.


