Curitiba - Um estudo feito pelo Ministério da Saúde demonstra as desigualdades sociais brasileiras no tratamento da Aids entre brancos e negros. A pesquisa, financiada pelo Banco Mundial e pelo Ministério Britânico para o Desenvolvimento Internacional, motivou a campanha do Dia Mundial de Luta contra Aids 2005. Com o slogan ''Aids e Racismo O Brasil tem que viver sem preconceito'', cartazes e folderes foram distribuídos em todos os Estados.
Um dos dados mais alarmantes demonstrados na pesquisa é a taxa de mortes por doenças infecciosas na população adulta que chega a 17,14 por 100 mil entre os brancos e a 30,58 entre os negros. Se consideradas as mortes por infecção com HIV, os números são de 15,64 para homens brancos e 23,13 entre os negros. Para o sexo feminino, a diferença é ainda maior: 5,45 para brancas e 12,29 para negras. ''Isso sinaliza uma dificuldade de acesso, um tratamento tardio'', analisa Fernanda Lopes, coordenadora do estudo Saúde na População Negra no Brasil publicado pelo Ministério da Saúde e divulgado pela Internet.
Os dados ainda não foram regionalizados. Entretanto, a coordenadora do Programa Estadual DST/Aids (Doenças Sexualmente Transmissíveis, Ivana Kaminski, relaciona as mortes por Aids às condições sociais dos negros no Brasil. ''Os estudos mostram claramente que a condição social do negro leva à mortalidade mais rápida. A evolução do negro é pior por conta das condições socioeconômicas'', pondera.
A avaliação de Ivana pode ser confirmada nos dados da pesquisa divulgada que revelam que os negros representam hoje 45% da população brasileira, mas correspondem a 65% da população pobre e 70% da população em extrema pobreza. A taxa de alfabetização de negros é 13 pontos percentuais menor do que para a população branca (78% contra 90%).
Ivana diz que os negros não têm condições no Brasil de ter qualidade de vida. ''Estou falando da prevenção positiva. Para ter sobrevida não adianta apenas tomar os medicamentos que estão acessíveis a todas as pessoas portadoras de HIV. Tem que ter tempo para fazer exercícios, se alimentar bem e dormir bem'', explica.
Outra pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo revela que 4% da população brasileira já se sentiu discriminada nos serviços de saúde. Entre as pessoas negras que referiram discriminação, 68% foram discriminadas no hospital, 26% nos postos de saúde e 6% em outros serviços não especificados. Em sua maioria, o agente discriminador foi o médico.

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