Aids no Sul preocupa Ministério
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segunda-feira, 09 de julho de 2001
José Maschio Agência Folha Londrina, PR 
O Ministério da Saúde quer intensificar o combate à Aids na região Sul do País, inclusive com a distribuição de seringas injetáveis e caixas coletoras em todas as unidades básicas de saúde. A preocupação tem um motivo: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, na contramão da história da doença no Brasil, têm aumentado o seu índice epidemiológico.
Segundo levantamento do Ministério da Saúde, nos últimos quatro anos, a região Sul teve um aumento de 13% na incidência da doença contra uma redução de 2% no restante do país.
Os três Estados apresentam também uma epidemia crescente entre usuários de drogas injetáveis, contra uma tendência de redução em outras regiões.
O coordenador do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, Paulo Roberto Teixeira, defendeu ontem, durante encontro Macro Sul, em Florianópolis, uma ação mais incisiva para combater a tendência de crescimento da doença na região.
A distribuição de seringas descartáveis por meio do SUS (Sistema Único de Saúde) visa combater um crescimento epidêmico entre usuários de drogas injetáveis.
A partir de 1989, foram registrados, por ano, aproximadamente 90 casos de contaminação em usuários masculinos moradores na região Sul. Nesses casos, foi constatado que pessoas com menor grau de escolaridade são as mais afetadas pela epidemia.
No encontro, Teixeira lembrou que, apesar de a região apresentar maior incidência de HIV entre usuários de drogas injetáveis, os números mostram uma migração de usuários de drogas injetáveis na região Sudeste para substâncias como o crack. Enquanto no Sul a droga injetável ainda é a preferida dos usuários.
Além de distribuição de seringas, o Ministério da Saúde quer uma integração entre as diversas ações de saúde, como os programas Médico da Família e Saúde da Mulher, para orientar a população sobre o crescimento da epidemia no sul.
Entre as mulheres, a relação heterossexual ainda é o maior motivo para a transmissão do HIV. Aliado a isso, a maior troca de parceiros sexuais, entre a população dos três Estados em relação ao resto do Brasil, surge como fator de preocupação entre os agentes de saúde. Enquanto no país 17,1% dos homens admitem relações com mais de uma parceira, no sul esse índice é de 23,3 %.
Já 34,5 % das mulheres paranaenses, catarinenses e gaúchas admitem manter relações com mais de uma parceiro, contra 27,3% das mulheres do resto do país.
Outra proposta do encontro Macro Sul é a diminuição da carga tributária incidente sobre preservativos, com sua distribuição nas unidades básicas de saúde como forma de diminuir os índices de transmissão por relação sexual.
No encontro de Florianópolis, que acontece até amanhã, está sendo discutida, entre os representantes dos três Estados da região Sul, uma forma legal de priorizar, em concorrências públicas, a participação de organizações não-governamentais que trabalham na prevenção da Aids.


