Aids já contamina 34 milhões de pessoas no mundo Do correspondente Reali Júnior
Paris, 19 (AE) - Todos os esforços de luta contra a pobreza no mundo poderão ser comprometidos pela epidemia de aids que já contaminou 34 milhões de pessoas - mais de 23 milhões somente na áfrica, a área mais atingida. Se a epidemia não for rapidamente contida, as consequências para o desenvolvimento serão trágicas, segundo o Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial. O vírus da aids já é responsável pela morte de 16 milhões de pessoas, 2,6 milhões unicamente em 1999, constituindo a primeira causa das mortes ocorridas na região ao sul do Saara.
Enquanto em alguns países desenvolvidos da Europa a expectativa de vida continua aumentando, em alguns países africanos a expectativa de vida sofreu queda de dez anos, aumentando de forma considerável o número de crianças órfãs. Hoje, numa parcela representativa de 21 países, mais de 7% da população está contaminada pelo vírus HIV. Se a áfrica é o continente mais infectado, a propagação é também importante em diversos países asiáticos, onde mais de 1 milhão de pessoas morreram vítimas da epidemia.
As pessoas atingidas pelo vírus situam-se, principalmente, na faixa etária economicamente mais ativa, entre 15 e 49 anos, reduzindo de forma drástica a produtividade e os esforços em poupança e investimento. Na área agrícola, as famílias são obrigadas a praticar culturas menos intensivas, portanto, com uma capacidade alimentar reduzida. Muitas vezes, são obrigadas a vender sementes acumuladas para o plantio para comprar remédios.
Mesmo em países como a áfrica do Sul o flagelo está presente. Cerca de 19% da mão-de-obra qualificada desse país será contaminada até 2015, revela o relatório. Só numa usina de açúcar do Quênia, a contaminação atinge um quarto dos trabalhadores. As despesas funerárias das empresas cresceram 500% em oito anos e os gastos de saúde, mais de 1.000%.
Em diversos países, como Costa do Marfim, Quênia, Zâmbia e Zimbábue, os pacientes de aids ocupam de 50% a 80% dos leitos hospitalares. As despesas com saúde pública vão passar nesses países dos 2,5% de hoje para 6% do PIB em 2010, segundo estimativa do Banco Mundial. Nos próximos cinco anos, o número de contaminados poderá ser multiplicado por 10 e o custo dos programas nacionais de luta contra a doença deverá passar de US$ 3 para US$ 15 per capita.
Segundo o relatório, esses países podem fazer um esforço maior para "melhorar o acesso a seus mercados para os países em desenvolvimento, particularmente produtos agrícolas e têxteis".





