Aids avança em balneários e municípios da rota do tráfico
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Irany Tereza e Roberta Jansen 
Rio, 10 (AE) - O avanço da aids no Brasil está ocorrendo basicamente em balneários turísticos, cidades portuárias e municípios que fazem parte da rota do tráfico de drogas, segundo a pesquisa do IBGE. A coordenadora da área de Saúde do estudo, Lilibeth Cardozo Roballo Ferreira, salientou que os dados usados foram os do Ministério da Saúde de 1992 a 1997. Pelo cruzamento de informações, nota-se claramente o alastramento da doença principalmente pelas regiões Sul, Centro-Oeste e Norte.
Estados como Mato Grosso, Paraná e Espírito Santo, por exemplo, tiveram aumento significativo na taxa de incidência de casos de aids de 92 para 97, passando da faixa determinada entre 3,1% e 6% para a de 6,1% a 19,5%. No Sudeste houve queda de um e meio ponto porcentual nos casos notificados neste período, puxado pela redução em São Paulo, que em 92 tinha registrado 7.730 casos e em 97, 6.514. Nos demais Estados da região, a quantidade de registros aumentou nos cinco anos pesquisados.
"É flagrante como a aids está se espalhando pelas áreas de turismo", diz Lilibeth. Segundo dados da pesquisa, além do aumento na faixa litorânea turística, estudos apontam para a interiorização da epidemia, que avança principalmente para áreas de fronteira ou municípios que fazem parte da rota de narcotráfico. "Cientistas sociais deveriam trabalhar junto com os profissionais de saúde na elaboração dos projetos para prevenção da aids", sugere a coordenadora da pesquisa, Lilibeth."As avaliações poderiam detectar e alcançar quase todas as dimensões do problema, construindo modelos adequados a uma efetiva barreira ao avanço da epidemia", avalia o estudo.
Para confirmar a tese, os mapeamentos feitos pela equipe do IBGE mostram que em nenhum Estado brasileiro ocorreu recuo na incidência de aids. No máximo, houve estagnação, como no Pará, que continua com um dos menores índices: até 2%.
O Brasil tem sido incluído entre os países que apresentam o maior número absoluto de caso. O Ministério da Saúde registrou em 92 mais de 14 mil casos, com uma ocorrência de 9,5 casos em cada 100 mil habitantes. Cinco anos depois, este número passou para 10,4 casos.


