Curitiba - Dez por cento dos diagnósticos de Aids registrados pela Secretaria Estadual de Saúde no ano passado são de pessoas com mais de 50 anos. Apesar dos dados de 2002 serem preliminares, a evolução da doença sobre esta faixa etária é uma constatação mundial nos últimos anos. No Brasil, dados preliminares de 2002 revelam que 11,2% dos novos casos atingiram pessoas acima dos 50 anos, sendo que 3,2% dos registros referem-se a pessoas com mais de 60 anos. Nos Estados Unidos, o índice de incidência também gira em torno de 10%, com o agravante de que um a cada 25 novos casos ocorre acima dos 65 anos.
Segundo o médico infectologista José Luiz Andrade Neto, que trata doentes com Aids desde o aparecimento da doença, em 1984, ''ao contrário do que muitos podem pensar, a maioria adquiriu o vírus HIV por via sexual e não por outro meio, como uma doença que exigiu transfusão de sangue, por exemplo''. Hoje, ele atende cerca de 400 pacientes de todas as idades infectados com o vírus. Há aproximadamente dez anos, Andrade Neto fez uma pesquisa justamente para diagnosticar qual o principal foco de transmissão da doença entre pessoas acima dos 50 anos.
A coordenadora de DST/Aids da Secretaria de Saúde de Curitiba, Mariana Thomaz, explica que, no caso das pessoas que vieram a desenvolver a doença depois dos 50 anos há duas explicações. ''Ou a pessoa contraiu o vírus há cinco ou 10 anos e a doença só apareceu agora, ou ela não usa preservativos'', diz. Andrade Neto ressalta, ainda, que em todas as idades a relação sexual é a principal via de transmissão. ''Com a idade, a vida sexual torna-se menos ativa, mas ela não pára'', diz. Apesar da doença se manifestar em média cinco a dez anos depois que a pessoa foi infectada, é possível que uma pessoa que adquiriu o vírus em 1984, quando tinha 40 anos, só venha a ter a doença agora, quando estaria com 60 anos. Em sua pesquisa, o médico não conseguiu determinar em que época da vida estas pessoas adquiriram o vírus.
''Este aumento não é inesperado'', diz o assessor de Planejamento e Avaliação do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Moisés Taglietta. ''Com o envelhecimento da população, a qualidade de vida das pessoas da Terceira Idade tem melhorado muito'', completa. Andrade Neto concorda e cita como exemplo os avanços na área farmacológica, com a descoberta do Viagra e de medicamentos mais eficazes contra a diabetes e doenças do coração, e ainda as melhorias nos recursos sociais. ''Há 40 anos as pessoas ficavam viúvas e viviam assim até morrer. Hoje as pessoas casam de novo, vão a bailes da terceira idade.''

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