AIDS


Porta aberta às doenças oportunistas


O flagelo não acabou. Piorou. A doença não é mais seletiva de alguns grupos de risco. Hoje, mulher casada é o principal alvo



ReproduçãoO portador de AIDS não precisa ficar isolado. Ações como sugere a ilustração não transmitem a doença.Embora seja transmitida principalmente pelas relações sexuais descuidadas, a AIDS dissemina-se por outros caminhos, como seringas usadas em comum por pessoas viciadas em drogas injetáveis e nas transfusões de sangue. Ela pega o feto no útero da mãe infectada, ou chega aos recém-nascidos através do leite materno contaminado.
Quando se começou a falar do problema, numa campanha massal de esclarecimentos e advertências, as pessoas que se consideravam fora dos grupos de risco costumavam dizer: ‘‘E eu com isto? Não sou homossexual, nem uso drogas.’’ (Grupos de risco: homossexuais, viciados em cocaína e outras drogas injetáveis; pessoas sexualmente promíscuas - ultimamente, destacam-se as mulheres casadas, que contraem o HIV dos maridos bissexuais).
A mulher e a AIDSO número de mulheres com AIDS aumentou 211,46% entre 1990 e 1994. No mesmo período, o número de homens que contraíram a doença cresceu 62,8%. Em 88 havia uma mulher com AIDS para 18 homens infectados. No ano passado, a proporção passou para uma mulher infectada para cada três homens afetados pelo vírus.
As mulheres estão mais vulneráveis à contaminação, porque cresceu o número de (ex-) heterossexuais contaminados, e porque elas têm mais dificuldade de negociar a utilização de preservativos, principalmente quando possuem um parceiro fixo (namorado ou marido).
Todas as campanhas preventivas, agora, devem levar em conta esta realidade:
o verdadeiro grupo de risco está situado entre as mulheres com mais de 30
anos, casadas e que não se protegem, por ignorar o perigo ou não conseguir a
colaboração do parceiro para as medidas preventivas necessárias.
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Portas abertasA Síndrome da Imuno Deficiência Adquirida (AIDS, sigla do nome em inglês - Acquired Immuno Deficiency Syndrome), descrita pela primeira vez em 1981, nos Estados Unidos, diminui o sistema defensivo e assim abre as portas do organismo a doenças oportunistas que acabam matando suas vítimas. Foi a gravidade da situação que levou à criação do Dia Internacional de Prevenção da AIDS, 1º de dezembro.
O Ministério da Saúde divulga um número preocupante: existem nos presídios brasileiros entre cinco a dez por cento de portadores do vírus da AIDS. De um total de 150 mil presidiários, isso significa entre sete mil e 14 mil presos contaminados. Esse dado foi confirmado pelo assessor do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis - DST/AIDS em Populações Confinadas, o epidemiologista Ricardo Pio Martins.
O índice de contaminação no Complexo do Carandiru, o maior de São Paulo, chega a 17,3 por cento. De posse desses dados, o Ministério programou uma campanha massiva de tratamento, incluindo distribuição de medicamentos como o AZT, os inibidores de protease e preservativos.
Medicamento novoO Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) está começando a produzir a estavudina, medicamento em cápsula que atenderá os portadores do vírus HIV com intolerância ao AZT. Os casos de intolerância à fórmula do AZT e resistência do vírus à essa droga atingem 30% dos pacientes.
A estavudina inibe a reaplicação do HIV, evitando infecções oportunistas. Convênio entre o Lafepe e o Ministério da Saúde permitirá a produção mensal de 6,5 milhões de cápsulas de estavudina,
que será distribuída gratuitamente à rede de hospitais públicos credenciados no Sistema Único de Saúde (SUS).

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