Milton DóriaInventário naturalO sabiá-coleira: pássaro menor é catalogado e solto na naturezaEncontrar o pato-mergulhão tem sido a grande motivação dos biólogos, mas não é somente esse o objetivo do grupo no Norte do Estado. Eles pretendem fazer um inventário das espécies que habitam as margens do rio Tibagi, com o máximo de informações possível, e traçar um perfil ambiental da região. ‘‘Começamos esse trabalho no ano passado e a cada dia estão aparecendo coisas novas’’, afirma Marcos Bornschein. ‘‘Até hoje, já encontramos mais de 200 espécies diferentes somente nesta região.’’,
A metodologia utilizada pelos pesquisadores para identificação dos pássaros consiste em três elementos. O primeiro é o mais primitivo de todos os métodos e também um dos mais eficientes: a observação visual, geralmente auxiliada com binóculos. Assim, eles souberam por exemplo da existência na região da águia-cinzenta, um animal que pesa aproximadamente três quilos e que há 90 anos não era visto no Paraná.
‘‘Ele passou baixinho, imponente, olhando para nós’’, lembra Bianca Reinert. Foram vistos também o papagaio-do-peito-roxo, o pica-pau-rei, a saracurinha-listada e o socoí-amarelo, nunca vistos antes na região e ameaçados de extinção. ‘‘Essas espécies mais raras, que estão sendo observadas aqui, a gente realmente não esperava encontrar. Inclusive pelo tamanho da área pesquisada, que é não é grande’’, observou o biólogo.
Milton DóriaPersonagem da regiãoO saíra-do-mato: descobertas surpreendem pesquisadores diariamente
Os pesquisadores também instalaram na mata aproximadamente 100 metros de rede especial, para capturar pássaros, divididas em dez peças e espalhadas pela mata. Quando voam, os pássaros batem nas redes e caem numa espécie de saquinho formado pelo mesmo material. Como ficam até três metros de altura do chão, as redes atingem apenas o ‘‘sub-bosque’’, e não a copa das árvores, e por isso os pássaros que caem nela são os menores, como o saíra-do-mato e o sabiá-coleira. Depois de catalogados e do anilhamento - colocação de anéis de identificação -, os pássaros são soltos.
A utilização do aparelho de tape-deck é o terceiro método de pesquisa usado pelos biólogos. Além de tentar atrair os pássaros com mesmo som de cada espécie, ele também serve para registrar a ‘‘voz’’ de espécies raras e provar que elas existem no local observado.
O trabalho dos pesquisadores não tem uma data definida para ser concluído: enquanto houver novas descobertas, eles vão ficando. ‘‘Na verdade não existe um final. O ideal seria pelo menos dois anos, para fazer um inventário da região, como é nosso objetivo. Agora para saber, por exemplo, o número de indivíduos de cada espécie, esse tempo teria que ser muito maior’’, observa Bianca Reinert.
(Lúcio Horta)

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