Águas termais são filão turístico
Dias de sol radiante, calor e mergulhos refrescantes. Quem experimentou a consagrada fórmula de lazer aquático já pode começar a pensar em outras opções menos óbvias para se divertir debaixo dágua e longe do mar.
O desenvolvimento da indústria do turismo e os estudos geológicos sobre o Aquífero Botucatu estão tornando popular os banhos quentes nas piscinas paranaenses. Em Foz do Iguaçu há três parques aquáticos que utilizam águas profundas: Mabu Foz Hotel & Thermas, Aquamania e o Thermas de Foz.
Formado a dezenas de milhões de anos, o Aquífero Botucatu é a maior reserva de água termal do planeta com 50 bilhões de metros cúbicos, quantidade suficiente para abastecer 150 milhões de pessoas por 2,5 mil anos. Ocupando uma área de 1,6 milhão de quilômetros quadrados no subsolo do centro-sul brasileiro, a extensão do Aquífero Botucatu equivale a França, Espanha e Inglaterra.
A temperatura e composição da água prospectada varia de região para região. Segundo a Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Sudersa) da Sanepar, em toda a faixa Oeste do Estado o aquífero apresenta viabilidade para a exploração turística.
Ney de Souza... O parque
aquático do
hotel
permanece
aberto
24 horas,
garantindo
a alegria
de famílias
inteiras que
se hospedam
no localEm relação a temperatura, vazão e composição não há nada que impeça que empresários do setor pensem em novos investimentos, garante o geólogo Marco Aurélio Fontona.
Atualmente, apenas um projeto está sendo desenvolvido no setor. Um abatedouro de Matelândia usará água de 50ºC prospectada em um poço de 850 metros de profundidade, ao custo de R$ 500 mil.
A empresa deve recuperar isto em pouco tempo, graças à economia de energia elétrica, explicou Fontana. Além disso, o investimento se justifica porque Matelândia tem um problema muito específico de abastecimento, disse.
No uso turístico, Foz do Iguaçu ocupa uma posição privilegiada no Estado. Além do pioneiro Thermas de Foz, o Hotel Panorama - um três estrelas que mantém parque aquático próprio - e o Mabu Foz Hotel & Thermas, um dos mais luxuosos cinco estrelas da cidade, compõem o circuito dos pontos mais frequentados por turistas brasileiros e estrangeiros.
A temperatura da nossa água é tão boa (por volta de 36 ºC) que o banhista não tem choque térmico, destaca Rogério Filho, subgerente do Mabu Hotel. Funcionando por 24 horas, as águas das quatro piscinas do hotel Mabu chegam a ser trocadas seis vezes em um único dia. A água tem propriedade medicinal e foi aprovada por um instituto americano, informa.
Invasão de turistas Em agosto, o hotel é invadido pelos argentinos. Residente em Eldorado, na província de Misiones, no Nordeste da Argentina, a professora Marina Trendell Badoraco, 35 anos, mãe de dois filhos, é frequentadora contumaz do Mabu. É o quarto inverno consecutivo em que se hospeda no hotel.
Gosto muito da temperatura da água, que é agradável mesmo no inverno, diz. Aqui, não tenho medo que as crianças peguem resfriado, nem qualquer doença de pele, já que a água é corrente, destacou Marina.
A experiência do Mabu está sendo avaliada pelas autoridades estaduais de turismo. Taco Roorda, superintendente da Eco Paraná, lembra que uma possível ampliação da estrutura para banhos termais no interior do Estado, será um grande negócio para o Paraná. É a garantia de ocupação da rede hoteleira durante o ano inteiro.Ney de SouzaA água
corrente
a 36ºC
enche as
piscinas
do Mabu
Foz Hotel
& Thermas
que garante
movimento
de turistas
até nos dias
de inverno...Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha





