Francisco Beltrão – Depois do tornado, a enchente. Os moradores de Francisco Beltrão (Sudoeste) ainda se recuperavam do tornado que destruiu quase cem casas no município na noite de segunda-feira quando, na manhã de ontem, o Rio Marrecas, que corta toda a cidade, subiu três metros acima do nível normal. Cerca de dez casas próximas às margens do rio foram interditadas pela Defesa Civil e 45 pessoas que ficaram desabrigadas foram encaminhadas para três abrigos comunitários. Segundo a órgão de defesa regional, o tornado que atingiu a cidade foi o primeiro registrado no Estado nos últimos 50 anos.
Com exceção de pequenos intervalos de estiagem, a chuva já dura oito dias na cidade. O vendedor Valdir de Oliveira, de 49 anos, morador na Rua Santa Catarina, no Bairro São Miguel, teve de deixar a casa às pressas com a esposa e os cinco filhos. Na tarde de ontem, eles se abrigaram no Pavilhão Comunitário do Bairro São Miguel. "O rio sobe muito rápido. É um perigo. Melhor esperar a água baixar em segurança", comentou.
Segundo a Defesa Civil, algumas pessoas resistem à interdição e ficam nas casas. "Por conta desses casos ficamos de prontidão, pois se o nível do rio subir à noite, temos que fazer a remoção às pressas. Isso atrapalha muito as ações", advertiu o secretário municipal de Defesa Civil Anildo Kruguer. A aposentada Leonor Ribeiro, de 76 anos, que tem a casa a menos de 10 metros do rio, ergueu os móveis da casa e estava à espera do filho para definir se sairia ou não de casa. "Medo eu tenho, mas não tenho outro lugar para morar. Se a prefeitura desse um lote, a casa eu construía", disse.

Imagem ilustrativa da imagem ÁGUAS DE JULHO - Após tornado, enchente amedronta moradores
Sucessão de desastres naturais em pouco mais de 24 horas em Beltrão tem sido um desafio para as equipes de socorro
SITUAÇÃO DE RISCO


De acordo com o fiscal de obras da Secretaria do Meio Ambiente, Emmanuel Olivo, as casas em condição de vulnerabilidade são as que tiveram processo de ocupação irregular ao longo das últimas décadas. A Defesa Civil estima que cerca de cem casas estejam em situação de risco no município. "O número já foi bem maior, mas recentemente várias famílias foram retiradas de áreas de risco no Bairro Alvorada", contou.
As áreas mais atingidas nesta enchente foram os bairros Marrecas e São Miguel. A última grande enchente do Rio Marrecas ocorreu no dia 1º de maio do ano passado. Cerca de 120 famílias foram afetadas. O comandante da Defesa Civil Regional, capitão dos Bombeiros Eriksen Mafra, ressaltou que a sucessão de desastres naturais ocorridos pouco mais de 24 horas na cidade tem sido um desafio para as equipes de socorro. "A ocorrência de um tornado é um fato inédito na história recente da Defesa Civil no Estado. O último que se tinha notícia ocorreu no ano de 1959, em Palmas (Centro-Sul)", mencionou.
O tornado com ventos de 120 km/h causou estragos em 76 casas na área urbana e em 20 na zona rural. O Conjunto São Francisco, no alto da cidade, foi o bairro urbano mais afetado pelo tornado. Oito quadras foram atingidas. O marceneiro Carlos Dos Santos, de 37 anos, disse que ficou sem reação diante o tamanho do susto. "Não tem o que fazer, a força da natureza é muito maior que a gente imagina", avaliou.

ÁGUAS DE JULHO - Após tornado, enchente amedronta moradores
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VOLUNTÁRIOS

Mafra informou que ontem a equipe de 50 homens mobilizadas para as ações na cidade fariam a entrega de cobertores e roupas arrecadadas, mas os serviços foram suspensos por conta dos alagamentos. Krug informou que diante da alta demanda de atendimentos, a Defesa Civil necessita de mais voluntários. "O que é importante é a população entender que a Defesa Civil não é só quem está à frente dos serviços, mas sim todos nós. Com maior engajamento da população, os trabalhos dariam mais resultado", incentivou. Mais informações pelo fone (46) 3520-2190.

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