Água para matar a sede?
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de agosto de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Dois litros de água por dia ou só para matar a sede? No início do mês, uma pesquisa científica realizada pelo Centro Superior de Investigações Científicas da Espanha e o Instituto de Medicina dos Estados Unidos mostrou que muita água pode fazer mal à saude. Para o público leigo fica a dúvida - beber água demais ou de menos? Qual a medida que o organismo realmente precisa?
Segundo a nutricionista Maria Cristina Corrêa, professora da Unifil, é preciso lembrar que a água é fundamental para o funcionamento do organismo humano. A água forma 70% do nosso corpo e está presente em todas as reações que acontecem nele. Sem água, um adulto não vive mais do que 10 dias, e uma criança mais que cinco dias.
Mas dizer que, de forma padrão, cada pessoa precisa de dois a três litros de água por dia não tem base em pesquisas. ''Não tem nenhuma evidência científica'' - afirma a nutricionista, lembrando que esse conceito ''coincide'' com o surgimento das envasadoras de água há cerca de 15 anos.
A necessidade diária de água, explica a nutricionista, não é um padrão fixo, mas varia de acordo com cada pessoa e de fatores como idade, sexo, prática ou não de atividade fisica, biotipo, peso e estado fisiológico (gravidez e amamentação, por exemplo), além de condições climáticas.
Uma referência é associar a necessidade de alimento diário com a de água - 1 mililitro (ml) de água para cada caloria. Então, se uma pessoa precisa de 2 mil kcal diariamente para sobreviver, vai precisar de 2 litros de água, incluindo o líquido dos alimentos. Mas mesmo isso não deixa de ser um padrão, e o melhor mesmo é que cada pessoa tenha o seu.
Por isso, se a pessoa é saudável, a melhor orientação é reger a ingestão de água pela sua sede. O organismo, segundo a nutricionista, ''é muito sábio'' e tem um mecanismo de regulação que faz a pessoa ter sede quando precisa de água, da mesma forma que faz ter fome, quando precisa de alimento. ''As pessoas ficam preocupadas se não conseguem beber 2 litros de água por dia, mas, se ela é saudável, pode se reger por sua sede'', explica.
Há casos, no entanto, em que é preciso ficar mais atento. Com crianças, por exemplo, já que elas ainda não têm completamente desenvolvido o mecanismo de regulação da sede e podem se desidratar com mais facilidade. Idosos também requerem atenção, já que podem não ter mais a regulação da sede tão adequada, e também se desidratam com facilidade.
Quem faz atividade física também precisa de mais água que sua sede pede, já que quando transpira perde líquido. Quem está resfriado deve lembrar que a água hidrata as cordas vocais e repõe o líquido perdido por causa de coriza e diarréia. A ingestão de água ainda é especialmente importante para a função intestinal. Junto com as fibras, ela ajuda na formação do bolo fecal e na sua eliminação. E em períodos de seca, como o que Londrina vive, o corpo também precisa de mais água.
Quando o assunto é água o melhor mesmo é utilizar o bom senso - não deixar de tomar líquido, mas também não forçar sua ingestão, sempre lembrando que cada um tem sua necessidade


