Água oferece risco a vizinhos da Repar
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quinta-feira, 03 de agosto de 2000
Sandra Sato Agência Estado De Brasília 
Moradores de áreas próximas à Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária (PR), podem estar usando água contaminada pelos 4 milhões de litros de óleo derramados no dia 16 de julho pela Petrobras. O laudo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concluiu que ainda são imprevisíveis as consequências a médio e longo prazos da contaminação do lençol freático e das águas superficiais.
O laudo recomenda também a proibição de pesca no Rio Iguaçu ao longo de 300 quilômetros, desde o Rio Barigui, por tempo indeterminado. Preparado por técnicos do Ibama, o laudo verificou em Araucária o mesmo despreparo da Petrobras para lidar com acidentes, como o ocorrido em janeiro na Baía da Guanabara.
Pode-se constatar a mesma falta de planejamento, a ausência de um Plano de Ação Emergencial, não só para a fase imediata, como para a recuperação e monitoramento dos impactos pós-derramamento de médio e longo prazos, conclui o laudo que sustentou a definição da multa aplicada à Petrobras. No valor recorde de R$ 168 milhões não constam gastos com a recuperação dos danos ambientais, que o Ibama ainda pode cobrar da Petrobras.
Os equipamentos utilizados pela empresa nas operações para conter o dano ambiental pelo derramamento de óleo no Rio Iguaçu foram condenados pelo Ibama, que os considerou insuficientes e inadequados para um acidente que afetou o rio e ecossistemas de várzea, terrestres e águas interiores. Para os técnicos do Ibama, a escolha errada dos equipamentos aumentou a extensão e a gravidade do dano.
Em um dos trechos do Rio Iguaçu, no município de Guajuvira, o Ibama registrou que houve grandes movimentações de terra, com o uso de máquinas pesadas na abertura de canais para desviar o óleo para bacias de contenção e também para garantir o acesso dos barcos ao rio. Boa parte da vegetação nativa foi arrancada.


