São Paulo, 26 (AE) - O bairro do Limão, na zona norte, foi fortemente prejudicado pelas chuvas de hoje. A água invadiu ruas, calçadas e fábricas. O trânsito ficou lento nas avenidas Celestino Bourroul, Nossa Senhora do à e Eulálio da Costa Carvalho. Moradores da Rua Matheus Mascarenhas e da Favela Beira-Rio ficaram ilhados.
Quase cem casas foram atingidas. O comerciante Antônio Celso Gavião estava desesperado. Dono de um pequeno restaurante, na Matheus Mascarenhas, calculava o prejuízo do dia: R$ 240,00. Antônio deixou de vender hoje 80 refeições ao preço de R$ 3,00 cada. "Quem vai atravessar esta água para vir até aqui almoçar", lamentava-se.
Depois da enchente de hoje, tomou uma séria decisão: vender o ponto por R$ 5 mil. "Comprei por R$ 8 mil, ou seja, vou sair perdendo". Alagada - O manobrista e segurança Antônio Mendes Filho, de 50 anos, era outro resignado. Ele estava trabalhando e não teve tempo de colocar os móveis para cima. A casa, naquela altura, já estava parcialmente alagada. Perdeu sofá, cama, guarda-roupa e outros móveis. "Todo ano é a mesma coisa", queixou-se. "Na rua há poucas bocas-de-lobo e que existem estão completamente entupidas e ninguém toma uma providência mais séria".
A agente comunitária Eudóxia Musto, de 54 anos, estava indignada ao mostrar um abaixo-assinado com 84 assinaturas pedindo soluções para o problema das enchentes. "Tudo em vão", disse. "Há algum tempo a Prefeitura promete tomar iniciativas, mas nunca faz nada", conta. Os filhos de Eudóxia continuam dormindo no chão por falta de camas, destruídas na última inundação, na semana passada.
Guinchos rebocavam os carros danificados pela chuva em vários pontos do bairro. Funcionários de fábricas e depósitos ficaram sem almoço. Ninguém se animava a atravessar a lama e a sujeira, caso dos 120 funcionários da TCE Eletro Eletrônico, na Rua Miguel Nélson Bechara. Os cinco técnicos da empresa Help Inject, de assistência técnica, na Rua Sampaio Corrêa, ficaram impossibilitados de atender as chamadas dos clientes. Os carros foram salvos a tempo. "Não tenho saída", afirmou o dono Hamilton Cerioni Júnior. "Estou perdendo algum dinheiro, mas vou continuar por aqui, apesar de toda esta água, porque gosto do ponto".

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