Curitiba - A Maternidade Victor Ferreira do Amaral é o primeiro centro médico da Capital a instalar uma banheira para partos dentro d'água integrada ao Centro Obstétrico. Segundo o diretor geral do hospital, Fernando Cesar de Oliveira Junior, a ideia partiu da administração atendendo também ao desejo das enfermeiras, mas já despertou interesse em gestantes que são informadas sobre os benefícios do procedimento nas reuniões do programa Mãe Curitibana. A maternidade atende cerca de 300 partos ao mês, todos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O serviço foi inaugurado há pouco mais de uma semana por Aline Roberta Pires. Mãe de primeira viagem, ela conta que a água quente - a temperatura fica em torno de 36º C - ajudou o corpo inteiro a relaxar. ''Não senti quase dor. As contrações foram fracas, só senti um pouco na hora do nascimento mesmo. E foi muito rápido também''. O bebê, Vitor Rafael nasceu de 41 semanas, com 3,2 quilos e, segundo a mãe, estava tranquilo, quase não chorou. ''Ficamos relaxando, eu e o meu filho, na banheira depois do parto. E a minha recuperação foi muito rápida também'', diz Aline.
São esses os principais benefícios apontados por Oliveira Junior. ''O objetivo do parto dentro d'água é promover o relaxamento e diminuição da dor na mulher, além de favorecer uma dilatação mais rápida.'' Ele explica que as gestantes podem optar por um banho durante as contrações e fazer o parto no quarto. O método não pode ser realizado em grávidas de alto risco, nem com patologias prévias, que apresente sangramento ou prematuridade. Para o bebê também é vantajoso, uma vez que o choque de temperatura ao sair do corpo da mãe é menor.
A banheira foi incluída na estrutura da maternidade com o projeto de reforma para atender à nova filosofia de humanizar o tratamento à gestante. Para dar mais conforto às pacientes, a instituição também adotou a cama PPP (pré, parto e pós), onde a gestante permanece desde o período pré-parto até depois de ter o bebê. Só 30% dos nascimentos são por cesariana, uma vez que a meta da maternidade é incentivar o parto natural. O centro obstétrico fica integrado ao jardim, para que as pacientes possam caminhar fora dos corredores de um ambiente hospitalar. Os partos podem ser feitos por enfermeiras obstetras, mas sempre há a supervisão de um médico.
A maternidade do Hospital Evangélico (HE) de Londrina também terá, em breve, uma banheira para parto na água. Será a primeira na cidade, e sua instalação faz parte do projeto de reestruturação do setor, com previsão de término no final deste mês. ''O objetivo é incentivar o parto humanizado'', informa a supervisora de enfermagem Neusa Queiroz de Aquilar. Segundo ela, o hospital já realizou dois partos na água, mas improvisando banheiras. Com a conclusão das reformas na maternidade, a opção estará à disposiçao das parturientes de convênios e do SUS. (Colaborou Silvana Leão)

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