Salvador, 04 (AE) - Os alunos e funcionários da rede pública de educação em Salvador estão consumindo água com coliformes fecais, segundo pesquisa da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), feita no segundo semestre de 98 e divulgada nesta semana. Foi analisada a água de bebedouros e torneiras de 101 das 432 escolas públicas de Salvador. Das 101 amostras 51 (ou seja 50,5%) estavam contaminadas com coliformes totais ou fecais.
Esse tipo de contaminação pode provocar infecções intestinais e diarréias. A professora Clícia Capiberibe Leite, do Departamento de Análises Bromatológicas da UFBA, coordenadora da pesquisa, disse que, como a maioria das escolas visitadas é da periferia, onde mora uma população de baixa renda (mal alimentada), os efeitos da contaminação podem ser mais graves. No entanto, não há nenhum estudo que comprove um aumento dos casos de diarréia nos locais das escolas.
De acordo com a pesquisadora, a contaminação da água deve ter sido provocada por ligações clandestinas (conhecidas como gato) na rede de abastecimento da Empresa Baiana de água e Saneamento (Embasa) , que atende as escolas. A água não sai da Embasa suja: é no percurso que ocorre o contágio, assinala. Além dos dutos e canos, a contaminação pode ocorrer nos reservatórios
Clícia lembrou que os reservatórios e caixas dágua a devem ficar sempre fechados e lavados pelo menos duas vezes por ano. A equipe de pesquisa, formada pela professora e três alunos do curso de Farmácia, alertou todos os diretores de escolas sobre o perigo da água contaminada orientado-os a tomar providências. Os pesquisadores esperam que no retorno das aulas da rede pública, em março, o problema já esteja resolvido. A primeira etapa da pesquisa foi feita nos últimos seis meses de 98 e a segunda deve ser feita no primeiro semestre desse ano.

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