Londrina - Capim vetiver e amendoim farofeiro. De acordo com o engenheiro agrônomo Paulo Ribeiro, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), a combinação dessas duas espécies pode reduzir os estragos causados pela chuva, como os registrados no último fim de semana em Londrina e região.
''Não garanto que teriam evitado totalmente, mas as consequências das últimas chuvas seriam muito, mas muito menores'', garantiu Ribeiro. Segundo ele, a repetição de desastres climáticos, como os ocorridos em Santa Catarina, em 2008, e em Angra dos Reis (RJ), em 2010, motivou o pesquisador, que sempre trabalhou com plantas medicinais e aromáticas, a buscar formas de reduzir os estragos provocados por temporais.
O vetiver é uma espécie proveniente do sudeste asiático indicada para contenção de encostas, morros e taludes (terrenos em declive). Mas ainda não é utilizado em larga escala no Brasil. ''Chega a ser um absurdo que não adotem'', alfinetou. Ribeiro aponta que a espécie é amplamente usada na Austrália, país que na virada do ano foi castigado por fortes temporais e enchentes.
Segundo Ribeiro, pesquisas realizadas em Jaraguá do Sul (SC) demonstraram que o vetiver com um metro de comprimento possui uma raiz de até seis metros. Plantios experimentais no próprio Iapar passaram por um teste de fogo no fim de semana. Encostas cobertas com o vetiver, ou com a combinação entre o capim e o amendoim farofeiro (arach repens), resistiram aos temporais dos últimos dias e não apresentaram sinais de erosão. ''É sabido que gramíneas e leguminosas, como o amendoim, se complementam. E neste caso a combinação é praticamente perfeita'', salientou.
A eficiência do uso plantio combinado é explicada também pela profundidade que as raízes do amendoim farofeiro atingem. ''O arach é natural do cerrado brasileiro. Como o solo é pobre, as raízes são muito profundas, chegam a quatro metros. Assim como o vetiver contribui para manter o solo firme'', completou.
Paulo Ribeiro não poupa críticas ao secretário municipal do Meio Ambiente (Sema), José Faraco, que não acatou a sugestão de que o plantio da combinação entre o vetiver e o amendoim farofeiro fosse adotado pela administração municipal. ''Ele (Faraco) ouviu minhas sugestões, mas acho que não houve muito interesse'', criticou.
Faraco declarou que a dica é ''importantíssima'', mas o órgão está priorizando a recomposição de mata ciliar, que é uma ''obrigação legal''. ''É muito válida a sugestão, mas primeiro temos que concluir esses projetos de mata ciliar no Parque Arthur Thomas, e que também abrange vários rios, como o Cambezinho e o Lindoia'', justificou o secretário, que não descartou a possibilidade de uso das espécies no futuro.

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