'Agronegócio é responsável por emissão de CO2 no BR'
O professor de Física da Universidade de São Paulo (USP), José Goldemberg - consultor científico do Fórum Internacional de Energias Renováveis -, atribuiu ao avanço do agronegócio no Mato Grosso e Pará grande parte das emissões de CO2 (gás carbônico) geradas no Brasil. De acordo com ele, a floresta amazônica paraense já foi desmatada em 50%, e do Mato Grosso, em 36%. As queimadas na Amazônia representam 75% das emissões de gases no Brasil - processo que tem acelerado as mudanças climáticas no mundo. No caso do Mato Grosso, o desmatamento é proporcional à abertura de novas fronteiras para plantio de soja. ''O desmatamento da Amazônia depende muito do mercado internacional da soja, quando o preço está em alta, a área plantada é ampliada. Hoje em dia, a maior parte do desmatamento vem do agronegócio'', afirmou.
De acordo com Goldemberg, que é ex-ministro da Educação e de Ciência e Tecnologia, grande parte da responsabilidade por esse processo é dos agricultores paranaenses e gaúchos, que respondem pela maior parte das propriedades rurais do Mato Grosso. ''É só você andar por lá e ver que a maioria dos empreendedores veio do Sul''. O professor atribui a redução do desmatamento, nos últimos anos, à queda do valor da soja no mercado internacional.
O segundo maior vetor da devastação são os pequenos agricultores locais assentados pelo Incra. Segundo o professor, sem apoio para produzir nas áreas já desmatadas, os assentados fazem do corte da madeira sua fonte de subsistência.
''A Amazônia têm 24 milhões de pessoas que precisam sobreviver. Acredito que a solução é impedir a saída de produtos sem valor agregado'', afirmou. ''Toda vez que vejo toras saindo de lá me lembro da Suécia, que é o país com a indústria de móveis mais sofisticada do mundo. Eles são um grande país madeireiro, mas nunca ouvi falar que exportam toras. Já na Amazônia, não tem indústria de móveis e você só vê as toras saindo''.
O professor acredita que o desenvolvimento de pólos tecnológicos com mão de obra qualificada é a melhor maneira de preservar a floresta. ôUm exemplo é a Zona Franca de Manaus, que concentra a mão de obra. Por isso, o estado do Amazonas é o menos devastado e ainda possui 98% de sua floresta intocada", disse. (F.C.)





