Agrishow espera crescimento de 30% nos negócios
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de abril de 1999
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, SP, 07 (AE) - Com expectativas otimistas de um crescimento de até 30% no volume de negócios gerados este ano, foi apresentada oficialmente hoje, em Ribeirão Preto, a Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), que acontecerá entre os dias 26 de abril e primeiro de maio. Com 350 expositores confirmados, a feira chega este ano à sua sexta edição, promovida pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas Equipamentos (Abimaq), em conjunto com a Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Sociedade Rural Brasileira (SRB), Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) e Prefeitura de Ribeirão Preto.
"É o maior evento do setor na América Latina e a maior parte das empresas tanto sabe disso que acaba adiando seus lançamentos, assim como os produtores adiam suas compras para safra e plantio para poderem pegar os descontos e promoções durante a realização evento", afirmou o presidente da Agrishow, Sérgio Magalhães, diretor do conselho consultivo da Abimaq. A estimativa é de que a Agrishow deste ano gire negócios de R$ 800 milhões, sem considerar o volume paralelo que é movimentado na cidade por um público de cem mil visitantes, em hotéis, restaurantes e comércio em geral.
Para Magalhães, o otimismo para a realização das vendas deste ano está centralizado principalmente na maior capitalização dos produtores que exportam sua produção, especialmente na área de grãos e de café. Segundo ele, as empresas nacionais que visam estes segmentos aumentaram seus investimentos na feira para atrair este capital, que "estará disponível", acredita ele. "As empresas querem de alguma maneira atrair o produtor para sua máquina, fazer com que ele compre seus produtos", disse ele.
Demonstração - Para atrair o produtor, está previsto para este ano um aumento no volume de demonstrações de máquinas e implementos. Serão 154 mil metros quadrados ocupados pelas empresas com apresentações dinâmicas de suas máquinas. "Quando o produtor vê a máquina em funcionamento ele pode visualizar melhor o tipo de trabalho que ela realiza e de que forma ela pode auxiliar em sua cultura", diz Magalhães.
Uma das principais diferenças entre a Agrishow deste ano e suas edições anteriores é a diminuição de estrangeiros participantes do evento. A alta do dólar foi a principal responsável por afugentar os principais investidores externos da feira, segundo explicou o gerente de marketing da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Otamar Costa e Silva, responsável pela organização da feira. Segundo ele, os investidores estrangeiros desistiram de participar da feira por não poderem oferecer produtos competitivos com os mesmos custos que os nacionais. "Com a alta do dólar os produtos nacionais ficaram com preços mais competitivos", afirmou.
O gerente de marketing disse que dos 20 representantes internacionais que estavam previstos para integrar um pavilhão norte-americano somente cinco confirmaram oficialmente sua participação no evento. Para o presidente da Agrishow, Sérgio Magalhães, o que deverá acontecer este ano é uma maior presença de estrangeiros em parceria com empresas nacionais.
Segundo ele, o perfil do participante estrangeiro da feira mudou este ano. "O participante estrangeiro vem para a feira para buscar um parceiro que venda o seu produto no mercado interno. Ou seja, ele produz a parte chave da máquina em seu país de origem, manda a máquina para seu parceiro no Brasil, adiciona componentes nacionais e vende com preços mais acessíveis", explicou Magalhães. Para ele esta é uma tendência a ser observada em todos os estandes da feira.
Financiamento - Com a confirmação de pelo menos quatro agências bancárias durante a realização da Agrishow, os organizadores do evento acreditam que o volume de financiamentos disponíveis para produtores interessados em adquirir máquinas, implementos e insumos será superior ao do ano passado, quando apenas Bradesco e Banco do Brasil disputavam a clientela. Este ano também estarão presentes o Banco Real e o Banespa. "Quem já anunciou o maior volume de programas especiais para o setor rural a ser lançado na Feira é o Bradesco. Sabemos que serão programas de crédito com juros abaixo do mercado, mas ainda não sabemos quais serão estes índices", afirmou Sérgio Magalhães.
Para o preidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Shiro Nishimura, as melhores opções de linhas de crédito durante a Agrishow, devem ser oferecidas por empresas multinacionais. Ele lembrou que os bancos estão dificultando cada vez mais o acesso ao crédito rural oficial. Segundo ele, a vantagem deste tipo de linha de financiamento é de que os juros são de 8,74% ao ano. "Mas não conheço um produtor sequer que tenha condições de tomar este tipo de empréstimo", avaliou. A abertura de novas linhas de financiamento durante a feira será restrita ao Finame Rural, crédito para investimentos do BNDES. "Esperamos que seja liberado um valor maior do que o do ano passado, que cobriu apenas 57% do custo da máquina. O ideal é que cubra pelo menos 80%", acredita Nishimura.
A maior parte dos negócios, no entanto, deverá ser realizada diretamente entre o produtor e o fabricante. "A maior parte das empresas facilita o pagamento, com uma entrada e o restante durante o período da safra", acredita. Nishimura concorda que o otimismo na venda de máquinas se deve à maior capitalização do setor. Segundo ele, pesquisa realizada pela Abimaq junto aos produtores aponta que pelo menos 40% não estão com dívidas junto aos bancos. "Outro ponto fundamental é saber quem captou dinheiro fora do País e portanto estaria com dívidas em dólar, ou seja, este não seria um potencial comprador para os dias de realização da Agrishow", disse. Em sua opinião, no entanto, a maior parte dos que ainda possuem dívidas para quitar deverão fazer este pagamento até o mês de abril.
Crescimento - O diretor executivo da Associação Brasileira de Agribusiness, Antonio Herminio Pinazza, avaliou a realização da Agrishow deste ano como sendo particular, frente a suas edições anteriores. Em sua opinião, o otimismo dos organizadores pode ser medido pelo crescimento no volume de expositores, de 300 para 350 e no volume de investimentos que está sendo feito na feira. Cada investidor está gastando em média 20% a mais do que nos anteriores, estimam os organizadores em montantes que variam de R$ 10 mil a até R$ 200 mil em um estande. Além disso, diz ele, a feira este ano terá o diferencial de trazer representantes de 22 universidades para discutir o processo do agribusiness na cadeia produtiva brasileira. "O agribusiness está começando a tomar a forma que desejávamos no início da realização desta feira", afirmou Pinazza.
Ainda segundo ele, as empresas estão preparando para a feira um volume maior de lançamentos para apresentar durante o evento. Pelo menos 20% do que cada empresa deverá apresentar na feira estará sendo lançado no local segundo ele. "É uma vitrine sem igual na América Latina", comentou.
Insumos - Os setores de fertilizantes e defensivos são os menos otimistas com as perspectiva do Agrishow deste ano, segundo Cristiano Walter Simon, presidente executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), e vice-presidente da Abag. Segundo ele, o período que estará acontecendo a feira antecede a época de pagamento de dívidas dos produtores que captaram recursos no Exterior no início da safra passada. A quitação das dívidas deverá ser feita no início de maio.
Em sua opinião, os produtores que contraíram essas dívidas para comprar insumos entre agosto e janeiro, estarão descapitalizados. Ele acredita que 70% do total de vendas do setor no ano passado foram feitas com recursos obtidos fora do País. "A época forte para a venda de insumos e defensivos é a partir de agosto", disse. A diferença é que, em outros anos, o produtor que havia adquirido a dívida em dólar sabia qual seria o volume destinado para quitar este valor. Com a desvalorização do real frente ao dólar, o produtor endividado perdeu esta noção. "A expectativa do mercado é de que o dólar se equilibre em um patamar entre R$ 1,60 e R$ 1,70. Se isso realmente ocorrer tudo bem, mas se voltarmos a patamares de R$ 2,00 será o colapso total da agricultura", afirmou ele.
Segundo Simon, as vendas de defensivos agrícolas este ano deverão permanecer na mesma média do ano passado, com um faturamento de aproximadamente R$ 2,5 bilhões. Ele acredita que o crescimento do mercado, que foi sentido principalmente nos últimos cinco anos, quando o faturamento praticamente dobrou, deverá se estabilizar com tendência de queda. Para Simon, a tendência de queda será decorrente da entrada dos trangênicos. Ele acredita que se aprovada a produção de alimentos transgênicos, a queda no volume de vendas de defensivos deverá ultrapassar 10% já no primeiro ano. "Acreditamos que isso somente se refletirá no ano 2000", disse ele.


