Agricultura recebe ''heranças''
Consta, em enciclopédias, que os primeiros animais para uso do homem primitivo foram amansados no Oriente Médio, por volta de nove mil anos a.C. O primeiro animal domesticado teria sido a ovelha, seguindo-se os caprinos, bovinos e suínos. Esses animais, antes caçados nos matos e campos, foram servir a família humana ali mesmo no quintal, para fornecer alimentos (leite e carne), abrigo (peles) e, muito mais tarde, serem empregados para tração (transporte e preparo da terra, em uma fase mais adiantada da agricultura).
Foi o uso de animais para tração e outros fins que permitiu o desenvolvimento da agricultura, que teria surgido entre 9 mil e 7 mil a.C.
Apenas quatro, de cerca de 80 mil plantas alimentares cultivadas, eram responsáveis pela maior parte da produção: arroz, trigo, milho e batata. Fora os alimentos, existiam produtos com finalidades diversas: algodão, juta, cana-de-açúcar e fumo.
A mecanização moderna, com uso de máquinas, especialmente tratores, começou no início do Século 20. Nos anos 30 teve início o uso intensivo de fertiliantes químicos e de agrotóxicos. Nos anos 60, os geneticistas criaram variedades adaptadas a ambientes específicos. Nos anos 70 os técnicos recombinaram a estrutura genética de plantas, para obter maiores produtividade e resistência a doenças. Nos anos 80 foi dado um passo na época extraordinário: a técnica de clonagem, que permite a produção em massa de plantas idênticas, a custos reduzidos e aumento de rendimento.
Entre outras práticas, surgiram no final do Século 20 a rotação e a sucessão de culturas, o plantio direto; as tentativas de preservação ambiental, inclusive das florestas; as discussões sobre as barreiras alfandegárias, a concentração de empresas ligadas à agropecuária, o monitoramento do ambiente por satélites que fazem o acompanhamento mundial de plantios e o desenvolvimento das culturas. Surge a agricultura de precisão que, além de satélites, utiliza em solo equipamentos de ponta.
O último dos grandes inventos destinados à agropecuária é tecnologicamente viável e já vem sendo aplicado com restrições em algumas regiões. Trata-se de uma discussão que sai do Século 20 e avança Século 21 adentro: a transgênese. Ao contrário da clonagem, da fertilização in vitro, da transferência de embriões, do café adensado e do milho adensado; do algodão colorido e da uva sem sementes, a transgênese não está sendo aceita sem resistência, pois interfere na intimidade dos seres vivos, sejam animais ou vegetais.
Há alguns anos a história da agricultura brasileira tem um novo e forte elemento: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que invade propriedades e exige terra para todos. Outra herança deixada pelo Século 20 ao Século 21. (J.O.)





