Agricultura familiar recebe recursos
Da Redação
O Banco Central liberou, ontem, R$ 20 milhões em recursos novos para atender à demanda de agricultores familiares do Paraná que estão sem capital para fazer o custeio da safra 99/2000. Entre recursos novos e a programação já existente foram disponibilizados R$ 30 milhões, sendo R$ 20 milhões para o atendimento de novos agricultores e R$ 10 milhões em recursos já programados para atender os clientes tradicionais do BB rápido e Pronaf tradicional, que estão em dia com as operações do banco. Os recursos serão suficientes para atender 30 mil novos agricultores familiares com financiamentos do Pronafinho que prevê a liberação de R$ 1.000,00 em média.
Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaep), que mobilizou os agricultores familiares, o dinheiro estará disponível a partir de hoje nas agências do BB. A liberação ocorreu após manifestação de cerca de 600 agricultores que estiveram durante o dia inteiro em frente ao Banco Central, em Curitiba. Desde às 9 horas, as atividades do BC ficaram totalmente paralisadas. No final da tarde, foi assinado o acordo.
O assessor econômico da Fetaep, Sergio Gutierrez, destacou entre os pontos positivos do acordo, o fim da resistência de algumas agências do Banco do Brasil em enquadrar os financiamentos do Pronaf nas regras do Proagro. Muitos agricultores vinham reclamando que os financiamentos do Pronaf para custeio eram liberados, mas algumas agências do BB se negavam a enquadrá-las no Proagro. O superintendente do BB no Paraná, João Carlos de Mattos, se comprometeu em acabar com essa resistência.
Outro destaque vitorioso dos agricultores familiares foi o fim da duplicidade de exigências de garantias e aval por parte das agências do BB. Gutierrez disse que nos municípios onde já funcionam os fundos de aval municipais, as agências insistiam em que os agricultores apresentassem outros avalistas. Com o acordo, ficou instituído que nos 100 municípios do estado que já têm fundos de aval, não serão exigidos outros tipos de garantias.
Ficou acertado ainda que a Fetaep vai pedir a intervenção do governo do Estado para marcar uma reunião de emergência com o ministro de Assuntos Fundiários, Raul Jungmann. O objetivo é sensibilizá-lo para que libere mais recursos para atender toda a demanda do Pronaf. Gutierrez disse que o valor estimado anteriormente de R$ 50 milhões para crédito de custeio para a agricultura familiar, já foi superada, estando em R$ 70 milhões a R$ 80 milhões.
Durante o dia de ontem, centenas de agricultores familiares de diversos municípios realizaram manifestações, fechando agências do BB no interior do Estado. Na capital, a sede do Banco Central foi ocupada por cerca de 350 manifestantes, que começaram a deixar o edifício assim que o acordo foi anunciado.
O Pronaf é uma conquista nossa, mas sempre que chega a época do plantio é esta enrolação para o governo soltar o dinheiro, reclama o presidente da Fetaep, Antonio Lucio Zarantonello. Segundo ele, o protesto aconteceu porque o governo federal alega ter disponibilizado R$ 380 milhões no Banco do Brasil. O banco, por sua vez, negou ter recebido o dinheiro.
Os agricultores alegam que a falta de investimentos afeta o plantio e produção para cerca de 300 mil famílias de pequenos agricultores e de 1,2 milhão de trabalhadores rurais. Segundo o coordenador técnico e de economia da Fetaep, Sérgio Gutierrez, está faltando liberar para o Paraná mais R$ 50 milhões só para o plantio. Além disso, queremos mais R$ 250 milhões do Pronafinho, para que os micro-agricultores possam investir em infra-estrutura em suas propriedades.
Ele calcula que entre 100 a 120 mil agricultores familiares se enquadrem no Pronaf, com renda anual superior a R$ 8 mil e que libera em média R$ 2,4 mil, com valor máximo de R$ 5 mil. Já as outras 180 a 200 mil famílias têm renda até R$ 8 mil e se enquadram no Pronafinho. Este programa financia em média R$ 900,00 a cada família, com valor máximo de R$ 1,5 mil.
O problema é que o Pronafinho foi criado há dois anos, mas até agora não saiu do papel, reclama o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mandirituba, Julio Carvalho. Só com R$ 900,00 um agricultor já vai poder plantar e com uns R$ 3 mil pelo Pronafinho ele poderia fazer uma pequena irrigação, um pequeno chiqueiro, uma indústria, diz. Segundo Carvalho, 80% dos agricultores precisam de verbas para investimentos, hoje, e se não conseguirem 60% terão de deixar suas terras e vir para a cidade.
Inácio Musial, de 69 anos, é agricultor em Mandiritiba, onde trabalha com a esposa, 5 filhos e cuida de 3 netos. Ele planta batatinha, batata-salsa, feijão e milho e em outubro vai pagar R$ 1,2 mil que financiou no ano passado. Mas eu preciso de mais uns R$ 3,5 mil para o plantio e investimentos na propriedade. (Vânia Casado e Maigue Gueths)Banco Central liberou ontem R$ 20 milhões para custeio da safra 99/2000, que deverão beneficiar 30 mil novos agricultores familiares do PR
José SuassunaPressãoAgricultores familiares só deixaram a agência do BC, em Curitiba, após assinatura do acordo





