Porto Alegre, 07 (AE) - Quatro dias depois de ocupar o canteiro de obras da barragem de Itá, cerca de 700 pequenos agricultores gaúchos e catarinenses vão deixar o local amanhã (08) ao meio-dia. O acordo foi feito hoje em audiência de conciliação no fórum de Erechim/RS. Uma reunião para tratar das reivindicações dos agricultores, desalojados pela barragem, foi marcada para o dia 12, em Chapecó/SC. Situada no município de Aratiba, a 404 quilômetros da capital, perto do rio Uruguai, no norte do Rio Grande do Sul, a barragem foi invadida na segunda-feira.
Integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), os agricultores querem indenização pelas suas terras a serem inundadas pelo lago da hidrelétrica de Itá, com 104 quilômetros quadrados, na divisa com Santa Catarina, que começa a ser formado em dezembro. A Gerasul, um consórcio privado responsável pela obra, garantiu que 732 famílias já teriam sido reassentadas. Faltariam finalizar apenas dois por cento dos processos de indenização.
Para o MAB, porém, cerca de 350 famílias ainda teriam valores a receber. Também existe uma polêmica quanto ao ressarcimento da faixa de 100 metros de extensão em torno do lago, que precisa ser preservada segundo a legislação ambiental. Os moradores ribeirinhos queixam-se de terem sido indenizados apenas por 30 dos 100 metros. Agora, como não podem plantar nos 70 restantes, pretendem receber a diferença. No encontro do dia 12 deverão estar representantes do MAB, da Gerasul, da Eletrosul
da Associação Brasileira de Energia Elétrica e do Ibama.

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