A decisão da concessionária Rodovia das Cataratas de fechar uma estrada que vinha sendo utilizada como desvio da praça de pedágio de Cascavel, localizada na BR-277, gerou revolta entre centenas de agricultores que moram nos distritos e assentamentos próximos ao local. O acesso, fechado na madrugada de domingo pela empresa, foi reaberto ontem com autorização da prefeitura, na presença de cerca de 500 pessoas.
O presidente da Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Rio Iguaçu, José Uliano Camilo, explicou que todos foram surpreendidos pelo fechamento da estrada que, conforme lembrou, existe há mais de 40 anos. Camilo destacou que a concessionária não procurou os agricultores para negociar o fechamento do caminho. ‘‘Essa estrada não foi construída para desviar o pedágio, existe há muito tempo. Além disso, eles fizeram tudo escondido porque sabiam que ninguém aceitaria isso’’, afirmou.
Segundo Camilo, os agricultores decidiram reabrir a estrada após uma reunião realizada na manhã de ontem. ‘‘A empresa concessionária mentia quando alegava que os próprios agricultores eram favoráveis ao fechamento da estrada. Muitas dessas pessoas que estão aqui moram no Distrito de São João, que eles falaram que queria o fechamento da estrada. Na verdade, fizeram um acerto com duas ou três famílias que aceitaram isso’’, acusou.
O prefeito de Cascavel, Edgar Bueno (PDT), esteve no local acompanhando a reabertura da estrada. Ele disse aos agricultores concentrados no local que o ato determinado era ‘‘administrativo’’ porque a estrada vicinal pertence ao município. ‘‘Estamos resguardando o interesse da população’’, disse.
Bueno frisou que ‘‘nenhum sensacionalismo’’ deveria cercar a reabertura da estrada. ‘‘Estamos agindo como autoridade e apenas na defesa do interesse da população.’’ O prefeito justificou que se tratava também de ‘‘restabelecer a ordem’’, porque a ação da concessionária foi unilateral.
O procurador-jurídico do município, Aderbal Mello, justificou a legalidade da decisão do prefeito. ‘‘Ele está preservando o direito constitucional de ir e vir, ferido com o fechamento do acesso’’, disse. Mello ressaltou que o município entrará com ação judicial para manter a estrada aberta, caso o Ministério Público não garanta o direito dos agricultores que moram na localidade.

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