Brasília, 6 (AE) - Ainda sem conhecer as reais consequências da greve dos caminhoneiros que paralisou o País por quatro dias, o governo vai enfrentar um novo protesto no dia 17, quando mais de mil caminhões devem amanhecer na Esplanada dos Ministérios. Desta vez, serão os agricultores de todo o País participando da "Mobilização Acordo Rural: mais renda, mais empregos no campo e soluções para o endividamento".
O objetivo é defender a agenda positiva apresentada pelo setor agropecuário ao Congresso no início de julho, que tem três pontos básicos: melhoria de renda na atividade rural, respeito ao direito de propriedade e solução para o endividamento dos agricultores.
Os caminhões usados na mobilização seguirão por três rotas pelo País. A primeira, Sul-Sudeste, começará em Erechim (RS), no dia 11, passando por Xanxerê (SC), Guarapuava, Londrina (PR), Presidente Prudente (SP) e Uberlândia (MG); a segunda - Centro-Oeste, partirá de Rondonópolis (MT) no dia 13, já incorporando o comboio do Mato Grosso do Sul, e passará por Rio Verde e Goiânia (GO), onde receberá o braço Norte do caminhonaço
que sairá de Marabá, passando por Redenção (PA) e Guaraí (TO).
Em quase todas as cidades haverá manifestações, algumas com distribuição de alimentos, e os caminhões entrarão em Brasília no dia 16 à noite, amanhecendo na Esplanada dos Ministérios no dia 17.
Para o presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, será a oportunidade de os agricultores mostrarem ao Brasil a importância do setor. "É preciso encostar seus tratores, entrar nos seus caminhões e se mostrar ao Brasil. Não adianta mais apenas as lideranças ficarem discutindo com autoridades em Brasília e o agricultor trabalhando no interior", avaliou Salvo.
Estudos - Para o presidente da CNA, é preciso fazer estudos sérios para a recuperação da renda do produtor rural, já que a principal causa do endividamento agrícola é a perda de renda do setor. Os juros altos e os preços dos produtos praticamente inalterados há mais de quatro anos são as razões apontadas pelos produtores para reivindicar uma renegociação de todos os dívidas rurais, com base na capacidade de pagamento do agricultor.
"A renegociação pode ter um custo para o Tesouro e para os bancos que emprestaram os recursos, mas certamente será muito barato em comparação aos ganhos que o País terá com o aumento de empregos e divisas na balança comercial", avalia Salvo.
Na agenda positiva da Agricultura entregue ao Congresso, o setor se compromete a gerar 1,5 milhão de empregos nos próximos quatro anos, aumentar a produção de grãos para 100 milhões de toneladas por ano e alcançar exportações de US$ 45 bilhões em três anos, se forem criadas as condições necessárias para a retomada do crescimento.

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