Agricultores portugueses "acordam" tarde contra acerto Mercosul-UE
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Vladimir Goitia 
Rio, 29 (AE) - O primeiro-ministro de Portugal, Antônio Guterres, corre o risco de enfrentar manifestações de agricultores portugueses assim que retornar do Rio de Janeio, onde participou da reunião de cúpula América Latina,Caribe e União Européia. A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) não gostou nem um pouco da assinatura do acordo de uma associação comercial entre o Mercosul, União Européia e Chile, que inclui a questão agrícola.
Embora bastante atrasados, a CAP manifestou ontem (28), em Portugal, sua posição contrária ao acordo que, segundo eles, deve prejudicar os agricultores do país, principalmente os do setor de frutas.
Portugal foi um dos primeiros países, junto com a Espanha, a pressionar, nos últimos meses, para que o Conselho Europeu concedesse o mandato negociador à Comissão Européia. Mas só agora os agricultores portugueses parecem ter "a cordado" sobre o que pode representar (impacto) o acordo comercial com o Mercosul.
Em entrevista coletiva, Guterres disse que Portugal gostaria de ter "ido mais longe" do que foi acordado no Rio. "Fomos tão longe quanto possível e não posso deixar de reconhecer que se chegou a um entendimento razoável, mas não vamos especular agora como poderia ter sido esse acordo", afirmou o primeiro-ministro português, que não disse quais ou em que pontos poderiam ter havido esses avanços.
Guterres antecipou ainda que a próxima Cimeira deve ocorrer no ano 2002. Embora nem a data nem o local tenham sido definidos, a sede da próxima cúpula poderá ser em Madri.
Guterres enfatizou que o acordo do Rio prevê também uma ampla liberalização dos serviços, setor em que os portugueses começam a se destacar na América Latina, onde já entraram no setor bancário e de supermercados.


