Porto Alegre, 23 (AE) - Os produtores rurais ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) decidiram liberar o acesso à caixa-forte do Banco Central, no centro da capital gaúcha, hoje à tarde. Os manifestantes estavam acampados desde terça-feira no local, impedindo o acesso de caminhões de transporte de valores, mas levantaram acampamento depois que o ministro Raul Jungmann, de Política Fundiária, aceitou receber uma comissão às 15 horas de hoje, em Brasília.
Os agricultores também conseguiram a promessa do governo federal de liberar imediatamente R$ 50 milhões para o Pronafinho em todo o País, com perspectivas de mais R$ 100 milhões em seguida. A linha atende especificamente os produtores familiares
com créditos entre R$ 500,00 e R$ 1,5 mil, juros de 6% ao ano, rebate (desconto) fixo de R$ 200,00 no final e prazo de um (custeio) a cinco anos (investimento) para pagamento.
De acordo com o coordenador do MPA, Gilberto Tuhtenhagen
os recursos ainda são "insuficientes", mas já representam uma vitória. "Não podemos ganhar tudo de uma só vez", comentou. As negociações sobre aumento de verbas para o Pronafinho foram feitas ontem, em Brasília, entre os enviados do Movimento, o diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, e o diretor de Programas do Ministério de Política Fundiária, Ludgério Corrêa.
Na audiência de hoje com Jungmann, os representantes do MPA vão tratar de outros pontos da sua pauta de reivindicações. A lista inclui maior limite de crédito por família no Pronafinho
crédito para construção de moradias e para recuperação da bacia leiteira e ainda ampliação dos financiamentos pelo programa Prosolo. Nas reuniões de hoje, o governo federal também concordou em editar uma portaria interministerial (Agricultura e Reforma Agrária) para transferir recursos do Pronaf convencional para o Pronafinho, informou Tuhtenhagen.

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