Curitiba- Depois da ocupação da Usina Hidrelétrica de Salto Santiago, no sudoeste do Estado, na última terça-feira, agricultores ligados a vários movimentos sociais do campo fizeram uma manifestação, na manhã de ontem, em frente à indústria de fertilizantes Fosfertil, em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. Eles impediram a entrada dos funcionários. À tarde, outros grupos ocuparam as praças de pedágio das concessionárias Caminhos do Paraná, na Lapa, e da Rodonorte, em Witmarsum, liberando as cancelas.
De acordo com o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Edson Bagnara, as mobilizações fazem parte da Jornada de Luta da Via Campesina e acontecem, simultaneamente, em várias cidades brasileiras. O protesto em frente à Fosfertil foi para chamar a atenção para o que os movimentos consideram oligopólio da produção de insumos agrícolas e consequente encarecimento dos alimentos. ''Queremos denunciar o que está acontecendo na agricultura, que está sendo vítima do controle dessas empresas, que determinam os preços que querem'', disse ele, referindo-se às multinacionais fabricantes de sementes e adubos.
Os movimentos defendem a reestatização da Fosfertil (antiga Ultrafértil, privatizada há 15 anos) e cobram do governo federal a criação de empresas estatais para produção de fertilizantes, mudanças no modelo agrícola e cumprimento da pauta da reforma agrária.
Em nota, a Fosfertil informou que ''74% dos fertilizantes consumidos no País são importados e a expansão da produção nacional -no caso dos fertilizantes nitrogenados- depende da maior oferta de gás, não disponível atualmente''. A empresa esclareceu, ainda, o Brasil não influencia o preço mundial, pois responde apenas por 2% da produção mundial e apenas 6% do consumo global. ''Dessa forma, a indústria brasileira de fertilizantes é tomadora de preços, ou seja, pratica os preços do mercado internacional''.
A Rodonorte informou que cerca de 50 pessoas ligadas ao MST ocuparam a praça de pedágio por duas horas e meia e que teria havido prejuízo aos equipamentos das cancelas. Na praça da Caminhos do Paraná, na BR-476, não houve dano e a mobilização durou cerca de 40 minutos.
Os cerca de 250 agricultores que haviam acampado na usina de Salto Santiago deixaram o local ontem.

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