Porto Alegre, 05 (AE) - O juiz da 1ª Vara Cível de Erechim (RS), Mauro Caum Gonçalves, disse hoje que deverá se manifestar em até dez dias sobre o pedido de reintegração de posse das obras da Hidrelétrica de Itá, impetrado ontem (04) pela Gerasul. A usina foi invadida na madrugada desta segunda-feira por 600 a 700 produtores rurais, organizados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que reivindicam a ampliação das indenizações pagas às famílias desalojadas de suas terras e a solução de casos ainda pendentes.
A audiência de conciliação entre as duas partes, realizada hoje à tarde no Fórum de Erechim, terminou sem acordo. No encontro, os advogados da Gerasul reiteraram a posição de negociar as reivindicações dos agricultores somente com a desocupação da área e concordaram em fazer uma nova reunião, na quinta-feira (07), com a participação de um diretor da companhia. Se os invasores não deixarem a usina, a advogada Maria Isabel Souza, da Gerasul, afirmou que vai aguardar a decisão do Judiciário. A hidrelétrica fica no município de Aratiba, na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Durante a audiência, o advogado Alvenir de Almeida, do MAB, afirmou que pretendia "distensionar" a situação, mas os representantes dos atingidos adiantaram que seria muito difícil aceitar a proposta da empresa na assembléia que será feita hoje à noite na usina. Eles se comprometeram a apresentar uma resposta por escrito ao juiz amanhã (06) pela manhã, mas a tendência é que permaneçam na área. Invasão - A invasão da Hidrelétrica de Itá ocorreu na madrugada desta segunda-feira. Os agricultores ocuparam a área e fecharam três acessos à usina com pedras e troncos de árvores. Como consequência, os cerca de 2 mil operários suspenderam as atividades no local. Um grupo de soldados da Brigada Militar está guardando o depósito de explosivos utilizados nas obras. No total, 4 mil famílias foram afetadas pela construção do lago de 104 metros quadrados que vai abastecer a usina com potência de 1.450 MW a partir de junho do ano que vem.
Segundo uma das coordenadoras do MAB, Luciana Zampieron, cerca de 350 não foram indenizadas adequadamente pela Gerasul. Os invasores querem que os atingidos pela construção de Itá e também da Usina de Machadinho, que igualmente está sendo construída pela Gerasul no norte do Estado, sejam indenizados por uma faixa de terra de 100 metros nos dois lados dos lagos. O motivo é que esses terrenos foram definidos como área de preservação, o que impede que os agricultores plantem no local. Eles foram indenizados por uma faixa de 30 metros.
O MAB quer ainda uma audiência com representantes dos ministérios de Minas e Energia e Meio Ambiente, além da Gerasul. No total são dez reivindicações, incluindo um crédito de R$ 7,5 mil por família que permanecer na região para permitir a retomada da produção agrícola e indenização também para os filhos dos atingidos. Nota - Hoje a Gerasul publicou nota oficial onde afirma que o movimento apresentou uma pauta "inaceitável por conter exigências que já estão sendo atendidas e outras descabidas e extemporâneas".

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