De Curitiba
A Agricultura é o setor que mais sofreu prejuízos em consequência da greve dos caminhoneiros que paralisou o País esta semana. A dedução é do assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná, Nelson Costa.‘‘Nos demais setores, os prejuízos são recuperáveis. As empresas e indústrias podem voltar a faturar daqui para frente’’. Ele calcula que os agricultores estão arcando com um prejuízo de cerca de R$ 7 milhões com a perda de produtos perecíveis.
Já os setores que trabalham com estoques como as indústrias, os prejuízos correspondem aos dias parados e ao volume que deixou de ser produzido. ‘‘Com a retomada das atividades elas voltam a faturar’’, comparou. Os setores mais penalizados na cadeia produtiva foram o primário e o intermediário, no caso as indústrias de produtos perecíveis. ‘‘O desabastecimento não chegou com força total ao comércio’’, comentou Costa.
A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) também lamentou que os produtores estejam pagando novamente a maior parte da conta do movimento. O assessor da entidade, Carlos Augusto Albuquerque, lembrou que o produtor jogou leite fora, perdeu aves por falta de ração e teve sua carga de hortifrugranjeiros apodrecida na estrada. ‘‘ O agricultor perdeu mesmo. Não é como a indústria que paralisou as atividades e agora retomou’’, comparou.
Nas Ceasas do Paraná, o movimento foi retomado, mas o dia foi atípico. Na Ceasa de Curitiba, normalmente entram 2.200 toneladas de produtos hortifrutigranjeiros numa sexta-feira. Ontem, entraram 2.600 toneladas, em função de que muita produção ficou na propriedade e o produtor enviou rapidamente para ser comercializada. O clima no mercado era de reposição de estoques e o presidente da Ceasa, José Lupion Neto acredita que a situação estará normalizada somente na terça-feira.
Segundo Lupion, ‘‘muita mercadoria que chegou ontem estava imprópria para o consumo e foi para o lixo’’. Na quinta-feira à noite, alguns supermercados de Curitiba já mostravam indícios de desabastecimento. No Mercadorama do bairro do Bigorrilho não havia verduras em folhas, carnes frescas de frango e suínos e alguns cortes de carne bovina. Não houve aumento acentuado de preços. Pelo contrário, a batata teve queda de R$ 1,00, sendo que a saca que era comercializada por R$ 11,00 na segunda-feira, ontem foi vendida por R$ 10,00. Os demais produtos como tomate, cebola, alface, couve-flor, pepino, pimentão, laranja, abacaxi não tiveram variação de preços. A abobrinha, teve variação positiva de R$ 1,00.
Pedágio Outro segmento que sentiu de maneira direta os reflexos da paralisação foram as concessionárias que administram as rodovias do Anel de Integração no Paraná. Os caminhões são responsáveis por aproximadamente 45% do movimento registrado nas praças de pedágio.
Nos quatro dias de paralisação, somente a Rodonorte, responsável pelo maior trecho das rodovias pedagiadas no Estado, teve um prejuízo de R$ 350 mil. Os cálculos da empresa foram feitos em cima de três dias úteis.
A Ecovia, que administra o trecho da BR-277 entre Curitiba e o litoral paranaense, foi a concessionária mais prejudicada. Nesta época do ano a maior parte do movimento é de caminhões, que têm como destino o Porto de Paranaguá. Conforme informações da regional paranaense da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), no tercerio dia da greve o faturamento diário da Ecovia caiu em mais de 75%. Com apenas uma praça de pedágio, a Ecovia teve um prejuízo de aproximadamente R$ 160 mil.
As quatro balanças que operam nos trechos da Rodonorte e Ecovia, conforme determinação do governo federal, devem ficar desativadas durante 60 dias. A suspensão das pesagem não deve causar prejuízo às concessionárias, uma vez que o dinheiro arrecadado com as multas é repassado de forma integral ao governo do Estado, por intermédio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). As concessionárias são responsáveis apenas pela operação da balanças.Setor agrícola foi um dos mais prejudicados com a perda de produtos precíveis
José SuassunaREABASTECIMENTONa Ceasa de Curitiba, ontem foi dia de reposição de estoque: entrada de 2.600 toneladas de hortifrutigranjeiros, 400 toneladas a mais que o normal

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