Moradores da comunidade de Barro Preto, em São Miguel do Iguaçu (43 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu), estão exigindo a abertura do antigo acesso à localidade agrícola, fechado há pouco mais de um mês pela Rodovia das Cataratas S.A. Ontem, eles demonstraram revolta contra a estrada alternativa aberta próximo à praça de pedágio na BR-277.
Todos os agricultores ouvidos ontem pela reportagem se posicionaram contra o buraco feito na margem da rodovia, que bloqueou o tráfego na estrada vicinal aberta há mais de 40 anos. Também alegam constrangimento ao transpor a passagem secundária. O mesmo estaria acontecendo como os parentes e fornecedores dos agricultores não cadastrados pela concessionária. O portão é supervisionado por vigias, que controlam o tráfego, permitindo a passagem somente de moradores da região.
A posição dos produtores contraria um dos pontos da nota oficial divulgada pela concessionária no dia 2 de março, quando o acesso foi fechado. Segundo a empresa, ‘‘o bloqueio atende solicitação dos próprios moradores da região, afetados pelo tráfego intenso e inseguro’’. A nota destaca que a passagem secundária oferece segurança aos agricultores e impede fraude do ‘‘recolhimento legal do pedágio’’.
A dona de casa Luci Daldoé, 38 anos, contou à Folha que seu marido esteve prestes a fechar a valeta com uma retroescadeira, porém foi impedido pelo pai, receoso de uma possível represália da polícia. ‘‘Ele chegou a ligar a máquina, mas meu sogro pediu para ele esperar a comunidade se unir’’, lembra a mulher. A sogra de Luci, Maria Baesso, 67, afirma: ‘‘Todos moradores são contra o fechamento do acesso’’.
O produtor Arlei Corrente, 42, reclama do fato de morar na região há 39 anos e ser ‘‘obrigado a pedir para usar a estrada municipal’’. Seu irmão, Vanderlei Corrente, 42, tem a mesma opinião. ‘‘Como posso ser favorável se toda vez que vou cruzar o portão, o vigia me pára e pergunta quem sou e onde vou’’, questiona.
Dono da primeira propriedade logo após a valeta, o agricultor Antonio Lourenço, 63 anos, se diz prejudicado pela alternativa oferecida pela acessionária. Segundo ele, os moradores precisam percorrer mais dois quilômetros até chegar ao trecho onde antigamente a passagem era permitida. ‘‘Também não consigo passar com minha bicicleta sobre a ponte construída sobre a valeta. Isso é uma gozação para cima da gente’’, diz revoltado.

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