Curitiba - Cerca de 1,5 mil agricultores ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag) e do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast) estão acampados em Curitiba, desde ontem, para uma audiência com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Eles vieram do Norte do Paraná onde, segundo as organizações dos movimentos, 2 mil famílias aguardam o assentamento imediato em oito áreas que já estariam em processo de desapropriação. As áreas são em Porecatu, Centenário do Sul, Alvorada do Sul, Marilândia do Sul e Londrina.
Eles saíram de seus acampamentos em 12 ônibus na noite de terça-feira e chegaram à praça de pedágio de São Luiz do Purunã por volta das 7 horas. O grupo abriu as cancelas para os motoristas que passavam pelo local em protesto contra a obrigatoriedade do pagamento da tarifa. A praça de cobrança foi liberada às 10 horas, quando o comboio seguiu para o ginásio do Tarumã, em Curitiba.
O grupo deverá ficar acampado até serem atendidos pela superintendência regional do Incra. A reunião entre eles e o superintendente Nilton Bezerra Guedes e outros membros do instituto está agendada para as 10 horas da manhã de hoje. Os agricultores já tinham apresentado uma pauta de reivindicações que foi discutida durante uma reunião interna no Incra ainda ontem.
Segundo um dos coordenadores da Contag, Josmar Choption, as famílias ocuparam as oito fazendas da região em 2008, após o Incra ter declarado que as áreas seriam improdutivas. ''O Incra está fazendo a parte jurídica e nós fazemos a luta. Só há conquista quando nos mobilizamos. Viemos para mostrar que a gente existe''. Os agricultores também solicitaram um encontro com o governador Orlando Pessuti, mas não haviam recebido uma resposta sobre o pedido.
Oitenta representantes do Mast se uniram à Contag para engrossar a manifestação. De acordo com Juraci Pereira dos Santos, coordenador jurídico do movimento, a intenção de ''unir as duas bandeiras'' é para fortalecer o coro pela formalização dos assentamentos. ''Nós trabalhamos nas mesmas áreas e temos as mesmas reivindicações. Não há disputa entre os dois grupos''. Conforme explica Juraci, uma área de 12 hectares estaria há sete anos no processo de destinação para a reforma agrária. ''Estávamos quietinhos. Mas como está andando muito lento, decidimos nos mobilizar''.
Santos informou que sem uma resposta positiva do Incra, os agricultores planejavam uma invasão à sede do instituto. Choption negou que houvesse a intenção. ''Vamos conversar com eles primeiro. Depois veremos o próximo passo''.
O Incra, por meio de sua assessoria de imprensa, preferiu não informar a situação das áreas reivindicadas pelos agricultores. Informou apenas que as condições serão discutidas na audiência pública de hoje.

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