Tamarana - Agricultores e produtores rurais de Tamarana (Região Metropolitana de Londrina) fizeram ontem um "tratoraço" para protestar contra a instalação da empresa Cetric, que pretende montar uma Central de Tratamento de Resíduos (CTR) industriais e comerciais no município. Os tratores percorreram várias ruas da cidade, munidos de faixas contra a empresa, cujas atividades, segundo eles, podem contaminar o solo e bacias hidrográficas da região, que tem potencial turístico e é produtora de sementes, commodities agrícolas e leite.
O grupo de manifestantes seguiu até a Câmara de Vereadores para chamar a atenção da população e cobrar apoio dos políticos. A empresa, que tem sede em Chapecó (SC), já adquiriu área de 40 alqueires, à margem da PR-445 em direção a Mauá da Serra. Conforme a empresa, a previsão é trabalhar com demanda inicial de 18 mil toneladas mensais de resíduos. O aterro deve receber resíduos industriais e comerciais de um raio de até 300 quilômetros de Tamarana, perímetro que abrange praticamente todo o Paraná, boa parte do interior de São Paulo e pequenas áreas de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
De acordo com um dos agricultores da região, Fábio Romero, a aquisição de licenças ambientais tem sido feita "de forma obscura" e a população "desconhece os perigos da instalação da empresa". "O relatório de impacto ambiental que apresentaram ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) é totalmente parcial e não possui nenhum ponto negativo, nem mesmo econômico. Como isso é possível? Sabemos da importância de uma empresa como essa, mas não aqui em nossa região, que é uma área ambientalmente privilegiada. Além da desvalorização dos terrenos, haverá prejuízo imenso e permanente, já que os resíduos industriais são altamente tóxicos", pontuou.
Na semana passada, representantes dos agricultores protocolaram no Ministério Público pedido de anulação da audiência pública que a empresa pretende realizar na próxima quinta-feira. "Vai ser apenas uma reunião de fachada como falso protocolo para cumprimento administrativo", alfinetou Romero. Ainda segundo ele, está havendo sonegação de informações do órgão ambiental com relação ao processo de licenças.
A reportagem entrou em contato com a promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, e ela disse que deve analisar o documento e as argumentações ainda hoje para, então, dar um parecer sobre o assunto. Enquanto isso, a audiência pública está mantida. A reportagem também tentou contato com o IAP e Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Tamarana, mas, devido ao jogo da Seleção na Copa do Mundo, não houve expediente no período da tarde.
Diretor presidente da Centric, Gustavo Baldissera defende a instalação da empresa na área dizendo que vai realizar a audiência pública justamente para mostrar os estudos de impacto realizados. "Convidamos os agricultores da região para conhecerem nossa tecnologia, mas eles se recusaram. Não podem, agora, impedir que apresentemos e expliquemos a toda população nossa atividade", argumentou.(Com Equipe Bonde)

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