Porto Alegre, 19 (AE) - Centenas de pequenos produtores rurais e agricultores sem terra reuniram-se hoje em frente ao prédio que abriga a caixa-forte do Banco Central em Porto Alegre
bloqueando a entrada e a saída de veículos. O objetivo da ação foi protestar contra a política econômica do governo federal, acusando-o de estar "de joelhos" diante do Fundo Monetário Internacional (FMI) e cortar recursos para a área social. Um boneco levado pelos manifestantes representava o presidente Fernando Henrique Cardoso enrolado em uma bandeira dos Estados Unidos.
Representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Movimento dos Produtores Agrícolas (MPA) chegaram às 7h30 ao edifício do BC, localizado na Avenida Alberto Bins, entre as ruas Pinto Bandeira e Senhor dos Passos, centro da capital. Ocuparam a calçada fronteira e metade da rua. Com o bloqueio, nenhum carro forte pôde entrar ou sair do BC.
Embora com as principais bandeiras compartilhadas - críticas aos acordo com o FMI e às privatizações promovidas por Brasília, que envolveriam futuramente a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal - os dois movimentos reiteraram duas reivindicações específicas.
O MST reclamou do corte de 71% no orçamento federal para reforma agrária, enquanto o MPA denunciou que os pequenos produtores esperam a liberação de uma verba de R$ 100 milhões desde o ano passado. "O problema do Brasil não é a falta de dinheiro, mas o uso que se faz dele, hoje aplicado no salvamento de bancos e resultando no escândalo que está aí", interpretou uma das coordenadoras do MST no estado, Ivonete Tonin.
Nos números do MST, 4 mil famílias esperam assentamento no Rio Grande do Sul. Os pequenos produtores queixam-se de que, após uma safra prejudicada pelas cheias e outra pela estiagem, estão ameaçados de não poderem plantar pela falta da verba - R$ 10 milhões para o RS. "Teremos desdobramentos pesados na semana que vem se o dinheiro não sair", avisou um dos coordenadores do MPA, Gilberto Tutenhagen.

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