São Paulo, 16 (AE) - A exemplo dos franceses e belgas, os agricultores argentinos vão sair, na próxima quarta-feira, às ruas de Buenos Aires com tratores, caminhões e caminhonetes em protesto contra a política econômica do país e contra a falta de repostas para as suas reivindicações. Entre elas, redução da carga fiscal e dos custos nos créditos, além da necessidade do refinanciamento das dívidas do setor.
A manifestação, que já vem sendo chamada de "tractorazo", será a primeira desse tipo nos últimos seis anos na capital argentina. A Federação Agrária Argentina, a Coninagro e as Confederações Rurais Argentinas (CRA), que reúnem cerca de 300 mil pequenos e médios agricultores, prometem criar um caos no trânsito nas proximidades da Praça de Maio, onde fica a sede do governo argentino.
A manifestação coincide com a tradicional Feira de Palermo, organizada pela Sociedade Rural Argentina (SRA), que congrega 10 mil produtores de grande porte. Embora concorde com o protesto dos pequenos agricultores, a SRA preferiu ficar à margem dos protestos de quarta-feira.
De acordo com analistas do setor, o protesto dos agricultores será mais um dos custos políticos que o presidente Carlos Menem terá de pagar na reta final de seu mandato. Ontem (quinta-feira)
o governo tentou persuadir os agricultores a desistirem da marcha, mas o encontro foi em vão.
Os agricultores não conseguiram do governo a redução dos impostos, principalmente o de renda. "Saímos totalmente descontentes e de mãos vazias", disse o presidente da Coninagro
Valentín Levisman, ao jornal "Clarín". Para ele, o governo ratificou a sua falta de sensibilidade, a sua incapacidade para resolver problemas e, o mais grave, a sua falta de seriedade para cumprir com as promessas.
De acordo com estimativas de várias entidades agrícolas argentinas, os produtores deixaram de receber este ano cerca de US$ 3 bilhões por causa da queda dos preços dos grãos no mercado internacional. final.

mockup