Agricultores ameaçam invadir agência do BB
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terça-feira, 04 de setembro de 2001
Gilmar Agassi<BR>De Cascavel 
Agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e à Comissão dos Reassentados Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi) iniciaram ontem uma série de protestos que se estenderão por toda a semana em Cascavel (PR). As manifestações fazem parte da Semana Nacional de Jornada de Luta pela Terra.
Cerca de 150 pessoas realizaram um ato público em frente à agência do Banco do Brasil e depois seguiram em caminhada até a praça do Migrante, no centro, onde permanecerão durante três dias.
Segundo o presidente da Crabi, José Uliano Camilo, os agricultores querem a liberação de recursos do Pronaf D (Programa Nacional de Agricultura Familiar), que autoriza o empréstimo de até R$ 5 mil para os produtores, através do Banco do Brasil. Segundo ele, a liberação do convênio deveria ter ocorrido em julho e vem impedindo o plantio da safra de milho e feijão.
Na quarta-feira, os agricultores fizeram um protesto em frente ao banco exigindo a liberação dos recursos. José Camilo ressaltou que se hoje não ocorrer uma definição sobre o Pronaf D, os agricultores poderão invadir a agência. ''Estamos buscando negociar há muito tempo. Se precisarmos invadir o banco, podem ter certeza que só sairemos com o dinheiro em nossas mãos'', ameaça.
O presidente da Crabi acrescenta que outra luta dos pequenos agricultores é para renegociar suas dívidas com o banco, que os impede de fazer novos empréstimos. Uliano disse que cerca de 500 pequenos produtores estão nessa situação na região de Cascavel. ''A safra passada foi muito prejudicada pelas geadas, por isso eles não conseguiram pagar todas as dívidas. Se não conseguirem novos empréstimos, não terão como plantar'', explicou.
Para o militante do MST, James Zen, o atual modelo econômico do País está destruindo as pequenas propriedades e privilegiando os latifundiários. ''Para se ter uma idéia nos últimos seis anos cerca de 600 mil pequenos produtores faliram e deixaram o campo'', conclui.
Londrina Os cerca de 200 integrantes do MST da região de Londrina que iniciaram vigília anteontem de manhã em frente à agência central do Banco do Brasil permaneceram no local ontem. Os manifestantes garantem que não sairão do local até que o governo federal libere verbas para o plantio. ''Não viemos aqui para brigar, só queremos condições para produzir'', afirmou João Alberto Cardoso, um dos coordenadores da vigília. A maioria dos manifestantes é de assentados, que vêm de vários município do Norte do Estado. (Com Silvana Leão, de Londrina)


