Agricultora abre desvio no pedágio de Jataizinho; PRF é acionada para fechamento
Segundo dona do terreno, trata-se de um protesto, já que a Econorte usufruiria de área sem acordo
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quinta-feira, 02 de maio de 2019
Segundo dona do terreno, trata-se de um protesto, já que a Econorte usufruiria de área sem acordo
Isabela Fleischmann - Grupo Folha 

Uma agricultora abriu um desvio nas proximidades da praça do pedágio de Jataizinho (região metropolitana de Londrina), na BR-369, liberando motoristas para passar sem pagar no começo da manhã desta quinta-feira (2). O local cobra a tarifa mais cara do Paraná, R$ 22,00 para veículos leves.
O desvio foi aberto com um trator pela dona do terreno, a produtora Miriam Kunhavalick. Ela alega que dois dias antes, a concessionária responsável pelo trecho, a Econorte, tinha colocado grades de proteção para impedir que os veículos passassem pelo local. “Eles estão fechando o desvio dentro da minha propriedade. Quer dizer, eles não são donos do que é meu. Tenho a escritura, sou a proprietária, e eles que mandam”, argumenta.
Segundo a produtora, existe um único contrato com a concessionária: para que ela não plante ou produza no terreno. Mesmo assim, ela alega que a empresa usa uma parte de seu terreno, do outro lado da BR-369. De acordo com Kunhavalick, há quatro anos a Econorte faz do local um depósito de materiais sem consentimento dela.
“Faz quatro anos que eu tento marcar uma reunião com eles para eles pagarem o que estão usando da minha propriedade e eles não me atendem e só me enrolam. Fiz um protesto, vim aqui e abri o pedágio dentro da minha propriedade”. No protesto, Kunhavalick também fechou valetas abertas pela empresa. “Eles entraram na outra parte da minha propriedade, fizeram uma valeta imensa sem minha autorização. Há cinco anos, eles tiraram caminhões de terra da minha propriedade sem me avisar, sem me pagar, sem nada. E o dinheiro ficou para eles”.
A concessionária acionou a PRF (Polícia Rodoviária Federal), que notificou a proprietária. “Eles chegaram aqui, fecharam o desvio e trouxeram notificação para eu assinar dizendo que eu estava cobrando o pedágio. É mentira, eu não estou cobrando pedágio”, disse.
O pedágio clandestino existe a 300 metros de seu terreno, conforme afirma a produtora. "É um pedágio só de moto, eles cobram R$ 4. Eu até filmei, é escondido. Eles têm um acordo com a Econorte e os motociclistas passam por lá e pagam menos. Esse é o motivo da minha revolta, é muita bagunça, o povo fazendo o que faz, sem me pagar nada"."
A reportagem entrou em contato com o restaurante que fica à frente desse pedágio clandestino, mas não conseguiu contato com o proprietário.
Já a Econorte informou, por meio da assessoria de imprensa, que não tem conhecimento do pedágio clandestino e que "a abertura de acesso para a rodovia sem a prévia apresentação de projeto, devidamente aprovado pelos órgãos competentes, é ilegal e coloca em risco a segurança dos usuários". Na nota oficial, a empresa diz que o acesso foi fechado com apoio da Policia Rodoviária Federal "visando preservar a segurança e a regularidade do local".
A concessionária também nega que tenha dívidas com a proprietária do terreno localizado nas proximidades da praça de pedágio de Jataizinho e que estuda as medidas legais e judiciais que adotará.
A praça de pedágio está operando normalmente.
(Colaborou Luís Fernando Wiltemburg)
(Atualizado às 14h21)


