Agricultor viu fios laranjados há quinze dias
O agricultor Joel Roecher, 21, disse ontem que já tinha visto sinais da bomba no pé da torre há cerca de 15 dias, quando estava arando a terra para o plantio. Joel é filho do dono do Sítio Santo Antônio, onde fica a torre, Adelino Roecher, e conta que, na hora, não ligou para os fios laranjados que avistou. Somente na terça-feira, depois que as bombas de Nova Tebas ganharam repercussão, que ele desconfiou que os fios em baixo da torre poderiam ser explosivos.
Ouvi o povo comentando sobre a bomba e lembrei dos fios que tinha visto, conta Joel. Ele avisou o pai e os dois irmãos e eles ainda voltaram ao local anteontem. Os fios ainda estavam lá e fomos chamar a polícia. Foi anteontem, por volta das 15h30, que o Adelino Roecher ligou para a Polícia Militar de Manoel Ribas, através do fone 190, para dizer que estava desconfiado que havia uma bomba na propriedade dele. Cerca de 40 minutos depois, a PM de Pitanga já estava no local isolando a área.
Adelino e os filhos, que moram numa casa a aproximadamente 300 metros do local onde estava a bomba, dizem que não viram nenhuma pessoa suspeita passando pela região nos últimos dias. Os vizinhos mais próximos e até mesmo os moradores de Vila Nova, um patrimônio rural a menos de três quilômetros do local da bomba, também não perceberam nada suspeito. Estamos numa sinuca, admitou o engenheiro de Furnas responsável pela reconstrução da torre em Nova Tebas, João Carlos Ribeiro. Não há como fiscalizar todas as torres.
Ribeiro estava com a equipe de Furnas em Campo Mourão, anteontem à noite, se preparando para ir embora, após a conclusão dos trabalhos em Nova Tebas, quando foi informado da nova bomba. Iríamos fazer um churrasquinho de confraternização, contou. Com a notícia, a festa foi adiada e a equipe toda teve que ficar de plantão em Campo Mourão e Iretama, caso ocorresse a explosão da bomba, que derrubaria a torre. Nada impede que a pessoa que instalou essas bombas venha atrás da gente colocando outras, disse.
Os técnicos de Furnas que acompanham a rota do autor das bombas, no entanto, têm dúvidas de que a pessoa que vem instalando os artefatos tenha bons conhecimentos sobre distribuição de energia. Eles lembram, por exemplo, que a poucos metros da torre que recebeu a bomba, em Pitanga, existe um cruzamento de linhas de Furnas e da Eletrosul, o que significa que uma única bomba poderia causar um prejuízo muito maior caso viesse a explodir. Por enquanto, o instalador de bombas mostrou apenas que prefere montar seus artefatos às margens de rodovias.(S.S.)





