O agricultor Duílio Pessotto, 56 anos, matou três amigos e um primo e depois se suicidou, após invadir um restaurante e uma loja de materiais hidráulicos, armado com dois revólveres, no bairro da Colônia, em Jundiaí (60 km de São Paulo), ontem pela manhã.
O crime chocou a população do tradicional bairro, habitado por famílias pertencentes à colônia italiana da cidade. A família Pessotto é uma das mais conhecidas.
O delegado do 3º Distrito Policial de Jundiaí, Fernando Bardi, disse que a polícia ainda não apurou o motivo dos homicídios. Ele afirmou que Duílio era amigo das vítimas e não possuía antecedentes criminais.
De acordo com o delegado, o agricultor teria premeditado os crimes e procurou, nos locais, quem iria matar. Toda a ação durou cerca de meia hora, entre 10 horas e 10h30 de ontem.
Segundo moradores do bairro da Colônia, o agricultor era alvo constante de - - brincadeiras de um grupo de pessoas que se reunia no clube Vila Paulista, localizado ao lado do restaurante Vendinha do Alto, um dos locais nos quais ocorreram os crimes.
O grupo ironizava o agricultor afirmando que ele era homossexual por nunca ter se casado e ter idade avançada.
Segundo a Polícia Civil, a primeira pessoa atingida pelos tiros disparados por Pessotto foi o seu primo de segundo grau, Laerte Pessotto, 49. Ele foi morto com um tiro no peito, dentro do restaurante Vendinha do Alto, localizado na avenida Oswaldo Pessotto, que foi o primeiro estabelecimento invadido pelo agricultor.
Felipe Keller, 57, frequentador do local, também foi atingido no interior do restaurante com um tiro no peito. Ele chegou a ser socorrido no Hospital São Vicente de Paulo, onde morreu.
Do restaurante, Pessotto se dirigiu à rua e disparou contra Benedito Lino da Silva, 62, proprietário do restaurante, que estava nas imediações do estabelecimento dentro de um Corsa. Silva levou um tiro na cabeça e morreu na hora, segundo a polícia.
Depois de matar Silva, Pessotto entrou em seu Fusca e foi à avenida Antenor Soares Gandra, localizada a mais de seis quadras do restaurante. Ele entrou numa loja de materiais hidráulicos, atirou em Antônio Segalla, 58, e depois disparou um tiro contra a própria cabeça. Segalla era funcionário da loja. Ambos foram socorridos e morreram no Hospital São Vicente de Paulo.
Segundo o delegado do 3º DP de Jundiaí, as investigações estão prejudicadas pelo fato de as vítimas estarem mortas. ‘‘Todos os envolvidos eram pessoas sem antecedentes criminais e não demonstravam problemas de relacionamento. O que aconteceu mais parece uma versão tupiniquim do filme ‘‘Um Dia de Fúria’’’, disse.
O filme, protagonizado pelo ator Michael Douglas, conta a história de um pacato motorista de Los Angeles, nos EUA, que começa a tomar atitudes violentas contra todas as pessoas que encontra em um dia de revolta.
Segundo familiares das vítimas, ‘‘seu Duílio’’, como era conhecido, tivera uma namorada há cerca de 12 anos, mas o relacionamento não deu certo. Quando foi abandonado, afirmou que nunca mais teria outra mulher.
Com o abandono, Pessoto passou a falar em suicídio. Por ironia, quem tirou essa idéia de sua cabeça foi uma de suas vítimas, Antônio Segalla.
Segundo amigos Segalla era um homem religioso. ‘‘Recentemente ele esteve em Roma para ver o papa’’, disse o motorista Hélio Chiqueto, de 53 anos.

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