São Paulo, 6 (AE) - Os agricultores espanhóis, a exemplo do que ocorreu na França, estão se organizando em torno de uma posição "radicalmente" contrária a um acordo (rápido) de livre-comércio entre a União Européia e o Mercosul. A posição do governo espanhol, de que "as desvantagens que alguns setores poderão ter com essa associação comercial serão mais do que compensadas por causa da expansão do mercado", manifestada também pelo ministro de Economia e Fazenda Rodrigo de Rato y Figaredo, em sua rápida passagem por São Paulo, na segunda-feira
não é compartilhada pelos agricultores espanhóis.
A União de Pequenos Agricultores (UPA), apoiada por outras organizações espanholas do setor, afirmou que não se opõe a assinaturas de acordos com outros países fora da União Européia, desde que esses acertos tragam melhores condições de vida para os agricultores no campo. A UPA alertou também que não aceitará que os produtos agríocolas sejam utilizados como "moeda de troca" política nessas ou em outras negociações.
Em entrevista ao jornal El País, o secretário-geral da UPA, Fernando Moraleda, declara que "os agricultores europeus não estão dispostos a aceitar "que os pobres dos países ricos (os agricultores) sejam prejudicados em benefício dos ricos dos países pobres (os atravessadores e exportadores)". Para Moraleda, são estes (os exportadores e não os produtores) os que ganham, quase que exclusivamente, com a abertura das fronteiras européias.

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